

Terra em Transe- resenha crítica do filme
Terra em Transe de 1967 é um misto de filme e realidade, pois relaciona nos seus quadros elementos-personagens do país fictício El Dorado que tudo nos leva a pensar no Brasil: Paulo, Diaz, Vieira, etc. são maquinalmente associados, em nosso imaginário, aos políticos marqueteiros de nossa pátria mal-amada. Os seus carácteres, suas figuras, seus papéis avisam-nos para o futuro - quais modelos de poder ou organização - a vivenciarmos; isto é, ele nos delieia pré-visões sobre algumas das conseqüências produzidas pelas decisões dos mandatários que escolhêssemos, ou fôssemos obrigados ideologicamente a compactuar com eles tais.
Além do mais, retrata a película as crises e/ou transes de um ser humano ingresso nesse jogo capital de pressões, desejos, confinamentos e utopias; o que então se diz ali poética, figurativa ou metalingüísticamente é o mesmo que há acontecido nos palácios, nas multinacionais e nos comícios (sem lembrar das festas privativas liberalistas...).
A coadunação dos diálogos, fotografias e cenários absorve todo o pensamento cinemanovista de Gláuber Rocha: aparente está o propósito de misturar a transcrição fidelizada do panorama sócio-cultural da época com a experimentação técnico-conceptual marginalizada do grupo de cinegrafistas eclodintes.
Os tipos categóricos da ambição, da submissão, do impasse, e todas as outras veleidades possíveis ao indivíduo por causa das provações terrenas encontram ali responsável lição de moral, "censura" precisa e mister desnudamento à massa, a um só instantâneo estado mesclado aos ignorantes agires: eis, postos aí, as funções representadas pelo público.
JotaPê
