Blog liberto a público de arte abstrata-concreta, literatura mundana, jornalismo experimental e direito cotidiano. ¡Pensare reactivus est!

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Análises de filmes metavisíveis

Resenha semiótica dos filmes "O homem que copiava" & "Beleza Americana" & "O profissional"

Os três filmes, em grande medida, apresentam temáticas correspondentes e relativamente intertextuais: o cotidiano regrado repetitivo, a morte circundante naturalizada, o amor impossibilitado atingido, a comunicação sem palavras.

Em "O homem que copiava" temos a relação interpessoal paralela de dois jovens periféricos numa metrópole brasileira, os quais desenvolvem seus enredos separados e que se entrecruzam (ou assim se revelam) ao término. A visão social-comunista ditatorial do trabalho e da indisponibilidade de alternativas é rebatida com o ponto de óptica capital-globalista do lucro e da perspectividade de escolhas, por bem amiúde e mundana fórmula, bastante criativa e sutil no suscitar deste século XXI.

Em "Beleza Americana" observamos os valores sócio-hereditários, tradicionais aspectos de uma sociedade de aparências e falsidades: a rotina americana na virada do século XX pro XXI, os seus distúrbios de comportamento, as neuroses familiares e grupais, as psicoses inexprimíveis em público - mas reveladas ao espectador -, os permeios da interação instintiva e metafísica.

Em "O profissional" reparamos em choques da realidade na vida de duas pessoas aparentemente opostas, mas dialogicamente semelhantes; uma experiência de exorcização e vingança, misturada a elementos de desagragação humana, corrupção urbana e desnível oportunístico para os protagonistas. Um matador e uma garota sobrevivente a uma chacina policial a traficante de drogas.
Share/Bookmark

Um comentário:

Unknown disse...

Complemento - extraído de comunidade do orkut sobre semiótica:

Análise Semiótica do filme American Beauty - Beleza Americana

Função Emotiva

Podemos verificar no filme Beleza Americana, pela análise semiótica, que a função emotiva é apresentada em diversas cenas. Aqui serão citadas algumas delas. Dentre várias, está a que Lester, protagonista do filme, sai de si e começa a imaginar Angela, amiga da filha. A cena a mostra coberta por pétalas de rosas vermelhas. Vale lembrar que no inicio do filme, Lester já está morto, porém, narra à história.
O filme é composto por emotividade o tempo todo, sendo destacado na decoração dos cenários e nas músicas de fundo, que são presentes em quase todas as cenas.
Em uma delas, Ricky (vizinho) mostra a Jane (filha rebelde) uma filmagem que ele considera predileta. A cena mostra uma sacola voando em um redemoinho de vento, e o objeto fica por vários minutos girando no ar e o rapaz diz que os movimentos da sacola seria como uma dança para ele. O vento destaca a estação do ano, que é o outono, nos Estados Unidos.
Em outra cena, Jane começa a se despir em seu quarto para que Ricky a filme pela janela , onde ocorre um envolvimento muito forte entre eles, mesmo com a distância, o que mostra um outro tipo de comunicação. Uma outra cena marcante, é a que Jane diz a Ricky que gostaria de ser tão importante para o pai dela quanto Angela. Ela diz o quanto o odeia e sente nojo por ele. Ricky se oferece para matá-lo e a garota aceita, claro que ironicamente.
As músicas fúnebres dão ênfase a várias cenas, Ricky em uma discussão com o pai diz: ”Que velho triste você é” e este cai em lágrimas. Em uma outra cena, Lester e Angela estão conversando na sala e ele diz: “Você é a coisa mais linda que já vi”. Assim, passando confiança para a auto-estima da garota, ela assumiu ser virgem, e todo aquele desejo que Lester sentia por ela fora ferido, fazendo com que ele se afaste. A garota, constrangida, se diz uma idiota.
No final, transparece a vontade da esposa matar o marido. Alguém o acerta com um tiro por trás, tornado-se suspeito, mas como o filme é baseado em surpresas, quem realmente cometeu o crime foi o sargento, pai de Ricky. Em seguida, o garoto admira Lester morto, pois ele está com um leve sorriso no rosto, mostrando que morreu feliz. Em todo o filme, o emissor fala de si mesmo, e todas as cenas são valorizadas com as músicas. A emoção está sempre presente.

Função Conativa

Podemos observar no filme que a função conativa está presente nas cenas citadas abaixo.
No início, o personagem Lester narra, em resumo, a sua vida. Ele mostra sua rua e sua casa. Em seguida, a cena onde a filha Jane e sua amiga Angela dançam para finalizar um jogo de basquete, o protagonista faz com que a cena seja apelativa, pois a dança torna-se sensual.
O fato de Angela ressaltar em várias cenas que mantém relações sexuais com freqüência, fazem dela ainda mais sensual e atraente. A cena em que Lester está se masturbando na cama, com a esposa do lado, e ainda diz que “tem sangue correndo nas veias”, também é uma cena apelativa.
Alguns outros exemplos são quando Lester pede aumento salarial para o chefe e cita sonegações fiscais da empresa, e quando o mesmo pede o emprego em uma lanchonete com o mínimo de responsabilidade. Outro exemplo é quando o casal Lester e Carolyn brigam na mesa de jantar e ele joga o prato para pedir paz.
A cena em que a sacola de plástico voa junto com as folhas secas e entra a música com toque de piano, o personagem Ricky conta sua vida e Jane a dela, e a garota ainda conta como se sente magoada por o pai dar mais atenção a amiga do que a ela. Em seguida, o casal se beija.
Cada vez que o vizinho diz ser o coronel da aeronáutica Fitts, é uma cena apelativa, porque é uma forma do pai impor respeito ao filho Ricky. O coronel deixa ainda bem claro sua masculinidade durante todo o filme, quando no final é descoberto o oposto.
Toda trilha sonora do filme é de Thomas Newman e Pete Townshend. São músicas clássicas que parte para o sentimental e para a sensualidade para destacar a sexualidade e o desejo de Ricky por Angela.

Função Referencial

Função referencial é quando o objetivo do emissor é informar. Também chamada de denotativa ou de informativa. Uma das características marcantes desta função são os textos na terceira pessoa. São exemplos de função referencial a linguagem científica e a jornalística.
Um exemplo desta função encontrada no filme Beleza Americana são as cena em que a personagem Caroloyn, esposa de Lester, tenta vender uma casa. Vários compradores chegam na residência para conhecer o imóvel e a vendedora enaltece as qualidades da cozinha, piscina, jardim, ventilador de teto. Isso tudo sempre na terceira pessoa.
A cena em que Carolyn mostra a casa para um casal de comporadores, ela diz: ”vejam esta cozinha, ela tem armários embutidos, é o sonho de todas as famílias. Vejam também este ventilador, ele pode ajudar a economizar muito na conta de energia”.
Em outra cena, chegam duas mulheres interessadas na casa e perguntam sobre a piscina e Carolyn diz que “a piscina é nova e que ela tem amplo espaço em volta para lazer”. Questionada sobre a falta de plantas no local, a vendedora diz que “ligaria para o jardineiro dela e que deixaria o imóvel dela adequado de acordo com o gosto da compradora”.

Função Poética

Uma cena do filme que consta uma função poética é a parte em que o garoto leva sua namorada para o escritório de seu pai, o coronel, e ele abre um armário e mostra a Jane um prato com o símbolo nazista na parte de trás. Seu pai colecionava estes objetos e armas.
A intenção do filme é criticar Hitler o regime nazista, que tinham por conceito de beleza a raça pura, de pessoas brancas, loiras e de olhos azuis. O regime nazista massacrou milhares de judeus nos campos de extermínio e como também roubou todo o dinheiro e bens de suas vítimas.
Para Hitler, aquela era uma forma de “limpar” a Alemanha e deixar somente os puros de raça no país. Com aquela simples cena, o filme critica todo um regime desumano. A intenção é criticar pessoas que ainda hoje tem preconceitos que pode ser de cor, opção sexual, religião ou qualquer outra coisa.
O filme tem por objetivo mostrar que pessoas como estas deveriam repensar sua forma de ver o mundo e mudar de atitude. O belo também pode ser encontrado em coisas simples, e não em coisas que pode tirar vidas ou maltratar alguém.


Função Fática

No filme Beleza Americana a função fática é usada em quase todas as cenas onde aparecem as rosas vermelhas, pois o autor quer passar o significado delas, que é o prazer, desejo e sedução. As rosas estão nas cenas mesmo em segundo plano, mas todo o cenário é decorado com rosas.
Os personagens Lester e Carolyn querem passar uma imagem de família perfeita. Nas cenas onde há desejo, ou tentativa de reconciliação, o vaso de rosas está na mesa, mas quando Lester resolve viver sua paixão com Angela e Carolyn resolve traí-lo, as rosas já não fazem mais parte do cenário.
Observamos também na cena em que Lester tenta se reconciliar com Carolyn, quando deitam no sofá, até as fotos e quadros que aparecem no enquadramento possuem rosas vermelhas.

No jogo de basquete, a trilha sonora é uma mensagem subliminar, pois em seguida, Lester fica alucinado e vê Angela dançar sensualmente e ela abre a blusa, e ao invés de aparecer os seios, aparecem as pétalas de rosas vermelhas.
Cada vez que o personagem Lester pensa em Angela, as rosas aparecem ou em volta dela ou caindo sobre ela. Até mesmo quando o beijo acontece, a pétala de rosa sai da boca de Lester.