Blog liberto a público de arte abstrata-concreta, literatura mundana, jornalismo experimental e direito cotidiano. ¡Pensare reactivus est!

domingo, 1 de outubro de 2006

Busco na morte a vida, - Miguel de Cervantes

Aos seres humanos políticos, eleitos e sufragantes.

Cervantes - Poemas
Busco en la muerte la vida

Busco en la muerte la vida,
salud en la enfermedad,
en la prisión libertad,
en lo cerrado salida
y en el traidor lealtad.

Pero mi suerte, de quien
jamás espero algún bien,
con el cielo ha estatuido,
que, pues lo imposible pido,
lo posible aún no me den.
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Legislação eleitoral para sufragantes insipientes

Mesmo que vossa senhoria não tenha interesse jurídico ou político intrínseco, que seja por cidadania e civismo dada leitura à estas recomendações legislativas, pois o direito não socorre aos que dormem ou desconhecem-no. Saiba disto para consigo e faça disto seu forte pavilhão sapiencial em qualquer época, em quaisquer locais. Vote informado consciente e saiba o porquê de votar.

Prazos e condições para candidaturas
Lei complementar número 64, de 18 de maio de 1990 (Lei da Inelegibilidade)

Não podem se eleger os inalistáveis, os analfabetos, os que tenham perdido os mandatos por infringira lei, os que tenham representação pela Justiça Eleitoral, os condenados criminalmente, os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos rejeitadas por irregularidade. Uma candidatura pode ser impugnada em petição fundamentada em até 5 dias, contados da publicação do pedido de registro do candidato.

Resolução 22156, de 3 de março de 2006 (instrução 105)

Para participar das eleições, o partido deve ter registrado seu estatuto no TSE até o primeiro domingo de outubro do ano anterior ao do pleito.

As coligações: Em 6 de junho de 2006, uma decisão administrativa do TSE endureceu a verticalização e restringiu as chances de aliança, obrigando partidos coligados na disputa presidencial a repetir a aliança em cada Estado, ou disputar sozinho. Mas os ministros recuaram dois dias depois e restabeleceram as regras válidas anteriormente. Segundo estas, os partidos podem, na mesma circunscrição, formar coligações para eleição majoritária, proporcional ou para ambas – mais de uma coligação pode ser feita para a eleição proporcional, entre os partidos que integram a coligação para a majoritária. Os partidos que lançarem candidato a presidente da República não poderão formar coligações locais com partido que também tenha lançado candidato à Presidência.

As convenções para escolher candidatos e coligações deverão ser realizadas de 10 a 30 de junho – se a convenção de nível inferior se opuser à deliberação da convenção nacional, os órgãos superiores do partido poderão anular a deliberação.

Os candidatos: Qualquer cidadão brasileiro pode ser candidato, salvo os inelegíveis. Eles devem ter a idade mínima de: 35 anos para presidente e vice-presidente da República e senador; 30 anos para governador e vice-governador de Estado e do Distrito Federal; 21 anos para deputado federal, estadual ou distrital.

Resolução 22144, de 14 de fevereiro de 2006 (instrução 101)

Dispõe sobre o número de membros da Câmara dos Deputados e das Assembléias Legislativas para as eleições de 2006.

Propaganda eleitoral e condutas proibidas
Resolução 22158, de 2 de março de 2006 (instrução 107)

A propaganda eleitoral começa em 6 de julho. A partir de 1º de julho, não será permitida propaganda paga em rádio e TV. Desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, são proibidos comícios, reuniões públicas e a veiculação de propaganda política na internet, rádio e TV. Toda propaganda deverá mencionar a legenda partidária. Os partidos e coligações têm direito a usar alto-falantes, das 8h às 22h, com exceção de lugares próximos a escolas, hospitais, igrejas e prédios públicos.

A propaganda em bens particulares (muros e prédios, por exemplo) depende apenas do consentimento do proprietário. Na imprensa escrita, será permitida, até o dia das eleições, propaganda que ocupe no máximo um oitavo de página para jornal e um quarto de página de revista ou tablóide, por edição.

A resolução também estabelece as condutas não permitidas aos agentes públicos, durante a campanha eleitoral. É proibido: ceder ou usar, em benefício de candidato, bens, serviços e servidores públicos; fazer ou permitir propaganda em favor de candidato, custeada pelo poder público; admitir, demitir ou remover servidor público três meses antes das eleições, até a posse dos eleitos.

Os agentes públicos também não podem realizar despesas com publicidade dos órgãos públicos que excedam a média nos três últimos anos. Aqueles que são candidatos a cargos de Poder Executivo não podem participar de inauguração de obras públicas nos três meses que antecedem as eleições.

Lei nº 11.300, de 10 de maio de 2006 (nova)

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (antiga)

Os candidatos estão proibidos de doar dinheiro, prêmios ou qualquer ajuda a pessoas físicas ou jurídicas. É vedada a confecção, utilização e distribuição de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros materiais.

Nos bens de uso comum, inclusive postes de iluminação e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus, é vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza. Os outdoors estão proibidos.

É proibida a realização de showmício e apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício e reunião eleitoral.

Constituem crimes, no dia da eleição, arregimentação de eleitor ou boca de urna, divulgação de qualquer espécie de propaganda mediante publicações, cartazes, camisas, bonés, broches ou dísticos em vestuário.

Financiamento de campanha
Resolução número 22160, de 3 de março de 2006 (instrução 102)

A arrecadação de recursos e os gastos vão exigir: solicitação do registro do candidato; solicitação do registro do comitê financeiro; inscrição no CNPJ; abertura de conta bancária específica para a movimentação financeira de campanha; obtenção dos recibos eleitorais.


Gastar recursos além dos valores declarados sujeita o responsável a multa no valor de cinco a dez vezes a quantia em excesso. O partido político que descumprir as normas perderá o direito ao recebimento da quota do Fundo Partidário do ano seguinte, e os candidatos beneficiados responderão por abuso do poder econômico (Lei nº 9.504/97, art. 25).

Instrução normativa conjunta número 609, de 10 de janeiro de 2006

Os comitês financeiros dos partidos e os candidatos devem se inscrever no CNPJ para abertura de contas bancárias para captação e movimentação de fundos.


Portaria conjunta número 74, de 10 de janeiro de 2006

O TSE encaminhará à Secretaria da Receita Federal (SRF) informações relativas à prestação de contas dos candidatos e dos comitês financeiros de partidos, especificando as fontes de arrecadação e os recursos recebidos.

Qualquer cidadão poderá apresentar denúncia à SRF sobre uso indevido de recursos, financeiros ou não, em campanha eleitoral ou nas atividades dos partidos políticos.

Lei nº 11.300, de 10 de maio de 2006 (nova)

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (antiga)

As doações somente poderão ser efetuadas por meio de cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos, ou depósitos em espécie devidamente identificados até o limite fixado. É vedado receber doações de entidade ou governo estrangeiro, órgãos públicos, organizações não-governamentais que recebam recursos públicos, organizações da sociedade civil de interesse público, entre outros. Partidos, coligações e candidatos são obrigados a divulgar, pela internet, relatório discriminando os recursos que tenham recebido ou gasto.

Cassação de candidaturas
Resolução 22142, de 2 de março de 2006 (instrução 99)

As reclamações devem relatar fatos e apresentar provas. Podem ser feitas por partidos políticos, coligações, candidatos ou pelo Ministério Público. O direito de resposta é assegurado ao partido ou à coligação atingidos por calúnia, difamação, injúria ou inverdade difundidos por qualquer veículo de comunicação social. O pedido de resposta deverá ser feito em: 72 horas, na imprensa escrita; 48 horas, em programação normal de rádio e TV; 24 horas, no horário eleitoral gratuito. O representado ou reclamado terá 48 horas para apresentar defesa, e 24 horas em caso de direito de resposta.


Lei nº 11.300, de 10 de maio de 2006 (nova)

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (antiga)

Comprovado abuso de poder econômico, captação ou gastos ilícitos de recursos, será negado ou cancelado o registro da candidatura ou o diploma, se já houver sido outorgado.


Cédulas e segurança do voto
Resolução número 22159, de 2 de março de 2006 (instrução 108)

Dispõe sobre as cédulas oficiais a serem utilizadas nas eleições.


Resolução 22157, de 2 de março de 2006 (instrução 106)

Dispõe sobre os modelos dos lacres e seu uso nas urnas, etiquetas de segurança e envelopes com lacres de segurança.


Divulgação de pesquisas
Resolução 22143, de 2 de março de 2006 (instrução 100)

A partir de 1o de janeiro de 2006, as entidades e empresas que realizarem pesquisas relativas às eleições são obrigadas a registrar cada pesquisa e suas informações no TSE e nos TREs, até cinco dias antes de sua divulgação.

fonte: http://eleicoes.uol.com.br/2006/leis/
links eleições 2006:>
http://blog.estadao.com.br/blog/eleicoes2006/
http://www.noticias.uol.com.br/uolnews
www.globo.com/jornaldaglobo
www.globo.com/jornalhoje
www.globo.com/jornalnacional
www.conjur.com.br
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sábado, 30 de setembro de 2006

Tristhes Tzarismos Dada�stas

Tristhes Tzarismos Dada�stas

Soneto à carnificina e"lei"toral

The politics of thieves in international language
(ou a política dos ladrões em linguagem internacional)

Malas, maletas, valises, sacolas.
Bolsos, pés-de-meias, cuecas, mãos à frente e atrás.
Marco Aurélio, superioríssimo (então) senhor ministro do tribunal eleitoral brasileiro:

caminhando contra o justo, sem ordem nem progresso gradual, seguro ou lento; que é que foi,

que é que há.
Lula, excelente (então) senhor presidente: cálix de sangue retinto de gente, afasta-se de mim

este cálix; quem te viu, quem te vê.

Voto nulo, solução impedida, assunto encerrado.
Voto protesto, movimento escapista, imposteridade imediatista.
Estrutura de Estado, maquinário mentecaptocrata sobreversivo.
Super-estrutura de Governo, ideolário excusivista intransparecível.

Mercadoria, dinheiro, ideologia (não quero outra pra viver), prostibuloteiro.
Que país será este, o que porventura será que me dar-se-á?
Serviçalismo, escravidão, prisoneirice: tudo mudar, ainda poderá...

Patifaria, capitaleiro, mentinharia (não preciso dessa pra vencer), impartidarismerceeiro.
Que boçal sou isto, o que sem censura virá que te far-se-á?
Imbeciloidismo, debilismo, inercialice: todo lutar, nunca pelegarás.


Para os juvenis estudiosos da est-ética na política nacional, temos conselho internético pra

aprofundarem suas incursões método-lógicas:

Pecados capitais na política brasileira - a série

http://jg.globo.com/JGlobo/0,19125,VVJ0-2756-243944,00.html

JotaPê ad memorian dos mortos, lesionados, molestiados e assassinados pelos infames tirano-ditatorias mobilizadores sociais mesquinhos e medíocres de outrora, soberbos e supérfluamente massacristas d'agora. In nomi patri, et fili, et spirit saint, amem.
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Verborragia do baú



NOTAS DE DADAÍSMO

Os gêmeos da divina blindagem...
Mortos na Tchechênia...
Descoberta de pedra-fogo no meio da neve...
Ossos de animais, sem nada racional, cavaram cova em terra alheia, sem problema de óbituração
Comprovação de viagem mortal comprovada
China e Ìndia com superávit de mortecnologias, déficits humanários
Rússia contra os mortos, baixas de guerra
Estados Unidos com programa cívico anti-vivos, altas de paz
E no Br as crianças penam de dor e fome a zil.
América o ano é feito padrasto, basta de opulência, arrogância (que merda) isso não!
Não somos mais o futuro da nação, somos o que sobrou da destruição, uma frustração construída
Condução de meio passe, passe logo senão fica tapete de mentes idiotas e doentes.
Soldadinhos do fundo, defendendo um comandante espião do outro lado, violado, abalado
É isto porra, fume essa fumaça, não é mensagem de pajé ou tragada dos praças
É ponto de faísca, fagulha de guerra, contra a besta fera, megera.
Cade minha trupe, e essa tribo; onde foi parar?
O quê? Já saíram, fugiram, partiram, caíram -¬_
Agora tamo sozinho, eu e você. O que vai fazer pra revirar essa solidão, prosseguir a tal

missão: o debate prossegue, com vontade, o combate, se repete. O vício no interior deve ter

derrocada, essa juventude parece amacacada, possuída, está sem sentir, consumida, já foi,

devorada, partida.
Largou o mal, escapou, voou, passou além da vista, divindade prevista, jubileu morreu, "soul"

venceu em apogeu, crescente posição, malabarismos potente, Cristo foi quem te recebeu,

Eucaristia em cerimônia de Comunhão, largou a devassidão, com satisfação dá adeus [ADEUS!],

último momento de comunicação, bênção!

"Na vida foi me salvar da morte,
e sua morte vai me salvar a vida,
rima proibida" [Site Zen]

João Paulo Santos Mourão apud. & rev. in: Jota Pê 02/12/2001
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quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Bezerra da Silva in memorian porra nenhuma: é pós-morte mermo

Tristhes Tzarismos Dada�stas

Em homenagem ao multimalandragens Bezerra da Silva, nordestino radicado no Rio de Janeiro para fazer samba-canção do morro para ensinar-nos como viver sem vacilar e só nas manhas...olhaí gente boa, tá na lorota embaixo, saqualé...


A Giria É a Cultura do Povo
Bezerra da Silva
Composição: Elias Alves Junior, Wagner Chapell

Toda hora tem gíria no asfalto e no morro
porque ela é a cultura do povo

Pisou na bola conversa fiada malandragem
Mala sem alça é o rodo, tá de sacanagem
Tá trincado é aquilo, se toca vacilão
Tá de bom tamanho, otário fanfarrão

Tremeu na base, coisa ruim não é mole não
Tá boiando de marola, é o terror alemão
Responsa catuca é o bonde, é cerol
Tô na bola corujão vão fechar seu paletó

“Toda hora tem gíria...

Se liga no papo, maluco, é o terror
Bota fé compadre, tá limpo, demorou
Sai voado, sente firmeza, tá tranquilo
Parei contigo, contexto, baranga, é aquilo

Tá ligado na fita, tá sarado
Deu bode, deu mole qualé, vacilou
Tô na área, tá de bob, tá bolado
Babou a parada, mulher de tromba, sujou

“Toda hora tem gíria...

Sangue bom tem conceito, malandro e o cara aí
Vê me erra boiola, boca de sirí
Pagou mico, fala sério, tô te filmando
É ruim hem! O bicho tá pegando

Não tem caô, papo reto, tá pegado
Tá no rango mané, tá aloprado
Caloteiro, carne de pescoço, “vagabau”
Tô legal de você sete-um, gbo, cara de pau

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Malandragem Dá Um Tempo
Bezerra da Silva
Composição: Popular P. / Moacir Bombeiro / Adelzonilton

Vou apertar, mas não vou acender agora
Vou apertar, mas não vou acender agora
Se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora
Se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora

É que você não está vendo
Que a boca tá assim de corujão
Tem dedo de seta adoidado
Todos eles afim de entregar os irmãos
Malandragem dá um tempo
Deixa essa pá de sujeira ir embora
É por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora

REFRÃO

É que o 281 foi afastado
O 16 e o 12 no lugar ficou
E uma muvuca de espertos demais
Deu mole e o bicho pegou
Quando os home da lei grampeiam
O coro come a toda hora
É por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora

REFRÃO

É que você não está vendo
Que a boca tá assim de corujão
Fio desencapado adoidado
Todos eles afim de entregar os irmãos
Malandragem dá um tempo
Deixa essa pá de safado ir embora
É por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora

REFRÃO

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A Fumaça Já Subiu Pra Cuca
Bezerra da Silva
Composição: Indisponível

Malandro é malandro
Mane é mane
Aí doutor esse malandro é de verdade
Não sobrou nem a piaba
Não tem flagrante porque a fumaça já subiu pra cuca 2X
Deixando os tiras na maior sinuca
E a malandragem sem nada entender
Os federais queriam o bagulho e sentou a mamona na rapaziada
Só porque o safado de antena ligada ligou 190 para aparecer
Já era amizade
Quem apertou, queimou já está feito
Se não tiver a prova do flagrante nos altos do inquérito fica sem efeito
Quem pergunta quer sempre a resposta
E quem tem boca responde o que quer
Não é só pau e folha que solta fumaça
Nariz de malandro não é chaminé
Tem nego que dança até de careta
Porque fica marcando bobeira
Quando a malandragem é perfeita ela queima o bagulho e sacode poeira
Se quiser me levar eu vou, nesse flagrante forjado eu vou
Mas, na frente do homem da capa preta é que a gente vai saber quem foi que errou
Se quiser me levar eu vou, nesse flagrante forjado eu vou
Mas é na frente do homem que bate o martelo é que a gente vai saber quem foi que errou.

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Meu Bom Juiz
Bezerra da Silva
Composição: Gutaum

Aaaah, meu bom juiz
Não bata este martelo nem dê a sentença
Antes de ouvir o que o meu samba diz..
Pois este homem nao eh tao ruim qto o senhor pensa
Vou provar q lá no morro.. (2x)

Vou provar q lá no morro
Ele é rei, coroado pela gente..
É que eu mergulhei na fantasia e sonhei, doutor
Com o reinado diferente
É mas nao se pode na vida eu sei
Sim, ser um líder eternamente
Homem é gente..
Mas nao se pode na vida eu sei
Sim, ser um líder eternamente
Meu bom doutor,
O morro é pobre e a probreza nao é vista com franqueza
Nos olhos desse pessoal intelectual
Mas qdo eu alguem se inclina com vontade
Em prol da comunidade
Jamais será marginal
Buscando um jeito de ajudar o pobre
Quem quiser cobrar que cobre
Pra mim isto é mto legal
Eu vi todo juramento, triste e chorando de dor
Se o sr. presenciasse chorava tb doutor...

Aaaah, meu bom juiz, (meu bom juiz)
Não bata este martelo nem dê a sentença
Antes de ouvir o que o meu samba diz..
Pois este homem nao eh tao ruim qto o senhor pensa
Vou provar q lá no morro.. (2x)

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Os Direitos do Otario
Bezerra da Silva
Composição: Bezerra da Silva

Refrão: quem fala é malandro e conhece a barra pesada
Otário só tem dois direitos tomar tapa e não dizer nada

Aonde pintar um otário
Tem caguetagem e malicia
Otário é a imagem do cão e
também cachorrinho de policia

Todo otário cagueta
é verdade não é esculacho
é que bolso de otário é nas costas
Virado de boca p baixo
é que bolso de otário é nas costas
Virado de boca pra baixo

quem fala é malandro e conhece a barra pesada
Otário só tem dois direitos tomar tapa e não dizer nada


Otário é um bicho safado
É mesmo uma praga ruim
E nasce no mundo inteiro
E destrói tudo igual a cupim

Olha se eu fosse um cavalo
Não ia sujar o meu nome
Se otário fosse capim
Aí eu morria de fome
Se otário fosse capim aí eu morria de fome

quem fala é malandro e conhece a barra pesada
Otário só tem dois direitos tomar tapa e não dizer nada


Aonde pintar um otário
Tem caguetagem e malicia
Otário é a imagem do cão e
também cachorrinho de policia
Todo otário cagueta
é verdade não é esculacho
é que bolso de otário é nas costas
Virado de boca p baixo
é que bolso de otário é nas costas
Virado de boca pra baixo

quem fala é malandro e conhece a barra pesada
Otário só tem dois direitos tomar tapa e não dizer nada
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domingo, 24 de setembro de 2006

Jornalismo político: Luís Carlos Prestes e Getúlio Vargas


Era Vargas (1930-45)→ Início com o golpe de 1930 (deposição de Washington Luís e ascensão de Getúlio Vargas).
• Governo Provisório (1930-34)→Houve a transição política. Vargas demorou a convocar eleições e uma Assembléia Constituinte. Em Julho de 1932, São Paulo iniciou o movimento da Revolução Constitucionalista.Embora tivesse sido um fracasso do ponto de vista militar, no campo político seus reflexos foram positivos: Vargas reprimiu o movimento mas convocou a Assembléia Constituinte e em novembro de 1933 houve início aos trabalhos dos constituintes eleitos que resultariam na promulgação da nova Constituição de 1934. Preservava o liberalismo e o presidencialismo, além de manter a independência dos três poderes, fixando o primeiro presidente por voto indireto da assembléia.Também trouxe novidades: o voto universal secreto (extensivo às mulheres), o mandado de segurança, a eleição de representantes classistas e a legislação trabalhista.
• Governo Constitucional (1934-37)→Marcado pela polarização ideológica entre fascistas e comunistas (ascensão do nazi-fascismo: influência na formação da Ação Integralista Brasileira-AIB, nacionalista, autoritária, antidemocrática, anticomunista;fundação da Aliança Nacional Libertadora-ANL com grande adesão popular e união de vários setores ou alas reformistas e esquerdizantes dos tenentes, camadas liberais, socialistas, comunistas e líderes sindicais, todos com intentos democráticos, antiimperialistas, antiautoritários e reformistas. Suas principais reivindicações eram: suspensão do pagamento da dívida externa brasileira, nacionalização das empresas estrangeiras, realização de reforma agrária, ampliação das liberdades públicas e formação de um governo popular), ou seja, o Integralismo de Plínio Salgado e o Comunismo de Luís Carlos Prestes.
→A reação Contra o levante popular, por parte das oligarquias e do capital estrangeiro, foi rápida. Aprovou-se uma lei de segurança nacional com o objetivo claro de reprimir o crescimento da ANL (já com quase 400 mil filiados). Diante da extinção da ANL sua facção de esquerda, predominantemente comunista, preparou um golpe com características de insurreição: A Intentona Comunista.Vargas decreta estado de sítio. Mas os rebeldes terminaram sendo encurralados no Rio de Janeiro, onde acabaram sendo bombardeados até a rendição. A partir desse episódio confirmou-se o fracasso do levante comunista.
→A campanha sucessória para as eleições de 1938 foi marcada por acentuação das divergências no bloco dominante (pela intensa perseguição às já enfraquecidas forças oposicionistas mais contestadoras). A disputa parecia definida entre Armando de Sales Oliveira e José Américo de Almeida. Então iniciou uma série de movimentos continuístas de Vargas; para o sucesso em qualquer movimento golpista ele necessitaria de apoio militar, conseguido junto aos generais Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, os quais montaram o esquema necessário ao golpe político.
→1937-Ano decisivo do plano Cohen, forjado por Vargas como pretexto à instalação da ditadura do Estado Novo (ou Nova Ordem Nacional).
• ESTADO NOVO→Ditadura de cunho fascista, legitimada pela Constituição de 1937, que retirava todas as garantias do indivíduo, restringia a ação dos sindicatos e garantiu ao Estado um papel policial repressor.Caracterizou-se por: perseguição e repressão aos opositores do regime, economia caracterizada pelo incentivo à produção industrial de base (Companhia Siderúrgica Nacional e Vale do Rio Doce), o trabalhismo atrelou os sindicatos ao Estado e elaborou a CLT/1943 (Consolidação das Leis Trabalhistas), censura e propaganda (Departamento de Imprensa e Propaganda, Departamento Administrativo do Serviço Público e a polícia secreta) foram os principais órgãos do governo getulista, participação do Brasil na segunda guerra mundial com os aliados (Inglaterra, França e URSS).
• O FIM DO ESTADO NOVO→As manobras políticas de Getúlio não seriam suficientes para mantê-lo no poder e, em outubro de 1945, ele renunciaria. Chegava ao fim a ditadura do Estado Novo e, curiosamente, Vargas se via obrigado a deixar o poder por ordem de Góes Monteiro, general que havia liderado o golpe de 1937.O governo foi entregue a José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal. Nas eleições de dezembro saiu vitorioso o general Eurico Gaspar Dutra, candidato apoiado por Vargas.

A República Democrática→A deposição de Getúlio Vargas acha-se intimamente ligada à derrota dos regimes nazi-fascistas na Europa pelas forças aliadas.Ao final da segunda guerra mundial os EUA assumiram a liderança do bloco capitalista e a URSS a hegemonia do bloco socialista.O processo de redemocratização do Brasil efetivou-se tendo como pano de fundo essa conjuntura internacional. No período compreendido entre 1946 e 1964 verificou-se, internamente, o confronto político entre os nacionalistas e os liberalistas (grupos favoráveis á abertura da economia nacional ao capital estrangeiro e aos mercados externos). Impôs-se o alinhamento e a dependência brasileira ao bloco capitalista, sob a liderança dos Estados Unidos.
A nova era de Vargas(1951-1954)→Cinco anos depois de ser derrubado do poder, o velho ex-ditador Getúlio Vargas continuava sendo ainda a principal figura política do Brasil. Tal afirmação pode ser atestada como verdadeira se observarmos os resultados das eleições de 1950. Getúlio Vargas foi eleito com 48,7% dos votos, derrotando nas urnas seus concorrentes Eduardo Gomes e Cristiano Machado por larga margem de diferença.A política nacionalista de Vargas propunha uma via autenticamente brasileira no desenvolvimento capitalista, sem radicalizar-se quanto ao capital estrangeiro.Essa era a estratégia Varguista para o desenvolvimento do país. Procurando retomar suas antigas linhas nacionalista e intervencionista, Vargas voltou-se em especial para a petroquímica, siderurgia, transporte, energia e técnicas agrícolas. Sua política econômica estava estruturada no Plano LAFER (Plano Nacional de Reaparelhamento Econômico). O capital estrangeiro no Brasil promoveu o desenvolvimento de empresários, burocratas e gerentes que se opunham à política nacionalista de Getúlio. O nacionalismo radical de Vargas e sua velha disposição de aproximar-se do operariado – no dia 1º de maio de 1954, concedeu 100% de aumento aos salários mínimos – assustavam alguns setores da sociedade brasileira comprometidos com o capital estrangeiro. Por sua vez, Getúlio Vargas atacava os setores ligados ao capital estrangeiro, afirmando que a remessa de lucros para o estrangeiro era o fator crônico das dificuldades brasileiras. Ala extremista de oposição, liderada por Carlos Lacerda, acusava de corrupção as pessoas ligadas ao governo e denunciava financiamentos escandalosos do Banco do Brasil. A radicalização das posições levou ao crime da rua dos Toneleiros, isto é, ao atentado contra Lacerda, cujo resultado foi a morte do major-do-ar Rubens Vaz, no dia 5 de agosto de 1954. Na apuração das responsabilidades sobre o crime, chegou-se à conclusão de que o mesmo fora arquitetado por Gregório Fortunato, o fiel guarda pessoal de Getúlio. O país se agitou. A temperatura política era insustentável. O vice-presidente Café Filho propôs a Getúlio que renunciassem, deixando o Congresso eleger o sucessor. Vargas disse que só sairia morto. Na manhã do dia 24, Vargas estarrecia a nação. Suicidava-se com um tiro no coração e incendiava o país com uma carta-testamento:

NADA MAIS POSSO DAR A NÃO SER O MEU SANGUE

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam-me; não me dão direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de espoliação dos grupos econômico-financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei um regime de liberdade social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.
E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História." (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)


“Em meados de 1970, Luís Carlos Prestes, Roberto Campos, entre outros ilustres representantes da política nacional estiveram reunidos em uma ‘mesa redonda’ para debater e esclarecer situações referentes à repressão intensa sofrida pelo movimento comunista (inicialmente camuflado com a sigla da ANL, Aliança Nacional Libertadora) em especial pelo PCB, Partido Comunista Brasileiro, este que funcionara na ilegalidade desde 1922, entremeando na discussão diversos casos polêmicos e não totalmente esclarecidos, como as numerosas prisões de partidários bem como de cidadãos alheios ao Partido Comunista Brasileiro, sem mencionar incontáveis torturas. A isto, o porta-voz do governo recebeu com serenidade aceitando os fatos expostos, ressalvando, porém, a posição de abertura política após a redemocratização pós-1964. Não havendo mais meio algum de recuperar vidas perdidas em guerra ideológica.” [trecho de entrevista na TVE, Rede Brasil, Rio de Janeiro, programa “A Verdade de...” exibido em Dezembro de 2002.]

Indicação de Leitura:

§ 1930: os órfãos da revolução,Domingos Meirelles,2005, Record.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006

O homem que copiava - the xerox man

Resenha semiótica do filme "O homem que copiava" - estudo especial

Em termos de proposta leiga em lingüística dos discursos fílmicos, o enredo de "O homem que copiava" é uma obra quase vídeo-documental a buscar traçar o cotidiano externo e íntimo de dois personagens principais que entrecruzam ao final suas estórias do destino. André era o operador de fotocopiadora (retirador de fotocópias ou xérox!) que bisbilhotava, xeretava pela janela de seu apartamento a vizinha Sílvia que era vendedora de uma loja de confecção e vestuário em Porto Alegre. Mas André é um sujeito pobre, de rotina bem repetitiva e que mora só com a mãe, tem o hábito de desenhar no seu quarto para revistas de história em quadrinhos, além de observar a Sílvia no prédio vizinho. Sílvia, por sua vez, gosta de ler e sonhar com futuros prósperos....daí decorre a inimaginável tragicoma da película: ela, até o final passaria por coadjuvante principal mas será na verdade a secundária protagonista! Ele (André) monologa para o espectador as suas idéias para chegar ao convívio de Sílvia; ele pensa num jeito de arrumar dinheiro pra realizar algo que o torne amigável para ela. Daí, surgem os demais personagens: Antunes, o marginal que lhe fornece o aparato de motivação ideológica e os canais concretos de obtenção da grana fácil;Marinês, a espertíssima gostosona colega da papelaria; Cardoso, o ilário e velhaco entesudado pela Marinês, etc. O André então faz uma coisa diferente: ele, com a chegada na papelaria do seu Gomide de uma máquina de fotocopiar colorida, resolve copiar dinheiro para comprar um robe/pijama de R$38,00 para sua mãe, como despista para rever e chegar junto de Sílvia. Daí começam as complicações, ele passa desde o preenchimento de jogos à toa para trocar dinheiro em casa lotérica até enveredar por um assalto a banco pra arrumar bufunfa suficiente pra fugir ao Rio de Janeiro com Sílvia. Resultam daí a perseguição de troco pelo Antunes, que fora preso (depois de vender arma pro André assaltar o banco) ao usar do dinheiro falso com que o André lhe pagara a arma; a premiação sem querer na loteria;a descoberta por André de que o policial em que ele havia atirado no pé durante o assalto ao banco era o pai de Sílvia e que ele lhe reconhecera e cobraria um faz-me-rir também pra ficar de bico calado; a criação de uma quadrilha entre André, Sílvia, Marinês e Cardoso (logo a seguir quando André e Cardoso ganharam o montante no assalto ao banco); a morte de Antunes quando perseguia o André; o assassinato do Feitosa, pai de Sílvia, com premeditação; a viagem ao Rio de Janeiro; enfim... O mais surpreendente e intrigante é a revelação ao finzinho de que Sílvia, era ela quem tinha inventado e arquitetado o contato com André e sabia que ele a vigiava voyeuristicamente e fazia semelhantes coisas, sem ele saber e planejava a viagem pro Rio de Janeiro e acabara motivando tudo aquilo! Simples e sumariamente, isso aí foi o que rolou no rodar das cenas estranhas e engraçadas do filme.
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Análises de filmes metavisíveis

Resenha semiótica dos filmes "O homem que copiava" & "Beleza Americana" & "O profissional"

Os três filmes, em grande medida, apresentam temáticas correspondentes e relativamente intertextuais: o cotidiano regrado repetitivo, a morte circundante naturalizada, o amor impossibilitado atingido, a comunicação sem palavras.

Em "O homem que copiava" temos a relação interpessoal paralela de dois jovens periféricos numa metrópole brasileira, os quais desenvolvem seus enredos separados e que se entrecruzam (ou assim se revelam) ao término. A visão social-comunista ditatorial do trabalho e da indisponibilidade de alternativas é rebatida com o ponto de óptica capital-globalista do lucro e da perspectividade de escolhas, por bem amiúde e mundana fórmula, bastante criativa e sutil no suscitar deste século XXI.

Em "Beleza Americana" observamos os valores sócio-hereditários, tradicionais aspectos de uma sociedade de aparências e falsidades: a rotina americana na virada do século XX pro XXI, os seus distúrbios de comportamento, as neuroses familiares e grupais, as psicoses inexprimíveis em público - mas reveladas ao espectador -, os permeios da interação instintiva e metafísica.

Em "O profissional" reparamos em choques da realidade na vida de duas pessoas aparentemente opostas, mas dialogicamente semelhantes; uma experiência de exorcização e vingança, misturada a elementos de desagragação humana, corrupção urbana e desnível oportunístico para os protagonistas. Um matador e uma garota sobrevivente a uma chacina policial a traficante de drogas.
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Notações sobre "blogagem"

A literatura virtual, isto é, a migração de textos comentados, crônicas, poesias em postagens de blog é algo possível hoje. Posso me comunicar com escritores(as) de outros lugares, por outras palavras e diferentes formatos. Eles também podem corresponder, enviando comentários e críticas. Isto tudo é muito precioso, útil, interessante. Mas, como qualquer tecnologia e logo por ser mecanismo artificial, não substituíra a materialidade, a concreição da arte praticada em ambientes e com gente de fato vivas.

Minhas publicações até agora foram, em sua soma geral, feitas em rabiscos rápidos de papel ou, após reflexão momentânea sobre o assunto de redigir, tecladas diretamente à máquina num bloco de notas para depois serem repassadas à página virtual. Por quê? Pois acredito na velocidade do ciberespaço como um laboratório tendencioso demais ao sucesso fácil do raciocínio planejado. Ao contrário do que pensava antes, a utilização de ferramentas de suporte em mídia digital não tolhera meus pensamentos nem atrofiara meus neurônios. Ainda posso me desligar dela e ter comportamentos de pessoa antiquada, integrante ainda do ramo jornalístico arcaico, tradicional.

Todavia, e isto é importantíssimo, o ato de escrever mensagens com vaga e inarredável feição de relatos pessoais ou subjetivados é algo assim perigoso para o profissionalismo da comunicação social. Daqui por diante nós que trabalhamos com isto temos de estar a nos preparar cotidiana e disciplinadamente para a revolução dos media. Uma informação atual o será por frações de segundos por causa da veloz transcrição aqui na rede mundial de computadores.

A mensagem é o meio e vice-versa. (Dizem os teóricos da "mass comunication"; no que concordo e comprovo.) Se a Internet é o caminho para suprir a vontade de saber dos espectantes internautas e se o número deles aumenta paulatinamente, prevemos a presença de escritores virtuais de notícias para leitores também fictícios de acontecimentos. Vão haver dois mundos, então: o dos seres ainda reais, que praticam a existência e os fatos ou valores notícia; e, d'outro lado, o dos seres irreais, que apenas acompanham a vida de outros (em própria essência) e filtram para si as novidades que lhes fazem satisfação. Nós, agora, estamos ainda numa fase intermediária em que há um terceiro tipo (o qual pode continuar ou não a haver depois) que é o dos "biociborgs", ou seja: temos as duas fases - mecânica e física - a um só instante. Que será de nós é o complexo agora a decifrar ou decodificar.
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Discurso pra ganhar eleição

O Último Discurso
O Grande Ditador
Charles Chaplin

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progreso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
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