Blog liberto a público de arte abstrata-concreta, literatura mundana, jornalismo experimental e direito cotidiano. ¡Pensare reactivus est!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cecilices

Para a resposta malcriada:
nananinanão
Para o dinheiro sem fruição:
nananinanão
Para o menino pedinte:
nananinanão
e para a menina mendicante:
ninanão.

E para o gestor ignorante?
Nananinanão? Sinsinsinsalabim!

Para a preguiça de fazer o certo;
para o medo de ser honesto;
para a briga [toda ela] sem sentido;
para a ganância e avareza mediocrizantes:
nananinanão!

Para a coragem de contrariar o errado;
para a vontade de punir o falso;
para a união [alguma dela] sem partido;
para a honradez e partilha realtivantes:
sinsinsinsalabim!

Nananinanão!
Sinsinsinsalabim!

Não; sim.
Talvez,
sem fim

J.P.
17/01/2008
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Alan Sampaio - Jovem Cinemartista Piauiense

Comentários sobre Alan Sampaio, sua vida e sua obra

Marcelo Evelyn:

¬ Alan teve participação no espetáculo Sinestesia em Teresina - Projeto Instantâneo do Teatro Municipal João Paulo IIº - TJPII
"Os artistas [es] tão mais à frente e o público sempre um pouco mais atrás"
Alan, apesar de sua pouca idade, teve uma produção interrompida; mas que deve ser perseguida pelos seus assistidores e críticos.
e através do Cinema - uma mídia maravilhosa; menos efêmera, em tal medida.
Trabalho autoral a ser consultado e organizado.

Depoimentos:
Ivan Sampaio, pai.
Dalson Carvalho, cineasta piauiense.

I.S.:

O filho deixara textos, pesquisas, livros, trabalhos (até mesmo a pesquisa d'uma História do Cinema em THE até certa época) entre seus documentos pessoais.

D.C.:

Pensar no como saborear uma coisa nova; que gosto tem uma coisa nunca experimentada. Não saber que gosto está-se experienciando: não saber a resposta.
Sinestesia da obra cinematográfica.

O universo do nunca visto, do nunca sentido, o medo do novo.

1. Alguns são assim;
2. O Cine Rex e Nós;
3. O homem sem uma CÂMERA;
4. [outro do colega Dalson Carvalho que não sei o nome, nem anotei, nem lembro, nem me pergunte... mas era sobre a perseguição do ser em seu íntimo, com muitos hippies, um cara nu em pelo num supermercado e fotogramas bem coloridos e psicotécnicos]

#- Algumas Coisas -#

Pessoas que apareceram no decorrer do filme o Cine Rex e Nós, com depoimentos:
= David Cortellazzi, empresário e cinéfilo do extinto Cine Rex, um homem tão importante quanto Walter Alencar e desconhecido em minha laica opinião à toa...
= Ademilton Moreira, ator e cinéfilo [eu o vi trabalhando na bilheteria do Teatro 4 de setembro num show que fora lá recentemente...]
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domingo, 13 de janeiro de 2008

Piauí reúne Comitê de Direitos Humanos

Direitos Humanos é destaque na UFPI

Projeto “Educar para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos” faz encontro na UFPI

Esta ação conjunta é denominada Programa Educação em Direitos Humanos e objetiva oferecer condições para o fortalecimento institucional dos Comitês Estaduais de Educação em Direitos Humanos e a capacitação dos (as) educadores (as) e gestores (as) da Educação Básica em educação em direitos humanos, as lideranças da sociedade civil e os membros do CEEDH - PI.

Acadêmicos, representantes de movimentos sociais, professores e profissionais da educação são convidados para participar de uma reunião a realizar-se no dia 15/01/2008 no Auditório Salomé Cabral do Centro de Ciências da Educação no Campus da Ininga, no horário de 09 as 11h na qual será atendida a seguinte pauta:

1. Apresentação do Relatório da Primeira Etapa do Projeto de Extensão “Educar para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos”;
2. Apresentação da Segunda Etapa do Projeto de Extensão “Educar para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos” que será executada em 2008;
3. Apresentação da proposta do Curso de Especialização em Educação em Direitos Humanos que será oferecido pela UFPI;
4. Discussão da situação do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí no que se refere à aprovação do regimento, eleição da coordenação, representação e outras questões de ordem administrativa;
5. Discussão da primeira versão da Programação do III Encontro Estadual de Educação em Direitos Humanos e do I Encontro Norte e Nordeste de Comitês de Educação em Direitos Humanos a realizar-se em Teresina em junho/2008;
6. Entrega de Prêmio Heróis do Jenipapo a pessoas envolvidas com projetos e ações que tratam da Educação em Direitos Humanos e como reconhecimento ao apoio prestado Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos;

Atualmente a Coordenação do Projeto e do CEEDH – PI está localizada no Prédio Anexo da Pró-Reitoria de Extensão Sala, próximo ao LAPETRO e ao Hospital Universitário no Campus da Ininga.


O Curso de Especialização em Educação em Direitos Humanos que será oferecido como contrapartida da UFPI é uma iniciativa dos professores que diferente da prática não será cobrado taxa para os alunos e os professores não receberão pro labore e assim como as Coordenações Executiva e Adjunta.

OBJETIVOS
• Fortalecer programas de educação para o respeito aos Direitos Humanos nas escolas, organizações governamentais e não governamentais universidade e órgãos públicos;
• Reforçar a conscientização e aprofundar a reflexão numa compreensão histórico-crítica dos Direitos Humanos;
• Promover uma prática educativa comprometida com a Cidadania Democrática e com os Direitos Humanos;
• Qualificar, em nível de pós-graduação, profissionais e operadores sociais engajados na luta pelos Direitos Humanos;
• Estimular o estudo, a pesquisa e o ensino que tenham como tema central a educação em Direitos Humanos;
• Capacitar acerca de um efetivo conhecimento sobre os conceitos de Democracia, Cidadania, Direitos Humanos e Cultura de Paz;
• Promover a análise e a reflexão acerca da reconstrução da democracia a partir de uma transformação ético-política da realidade.

PÚBLICO ALVO

Portadores de graduação plena engajados em órgãos, entidades ou movimentos de luta pelos direitos humanos e que façam parte do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí.

É nesse contexto que se insere a segunda etapa do Projeto educar para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos, procurando atender às metas e diretrizes do Programa Nacional de Direitos Humanos lançado pelo Governo Federal em 1996 e o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. O Projeto tem o objetivo de difundir uma cultura de cidadania, de tolerância e de respeito aos Direitos Humanos, cultura esta indispensável para a promoção do desenvolvimento sócio-econômico, bem como para a superação de sua história de desigualdades e injustiças.

Academicamente, além de proporcionar articulação entre ensino, pesquisa e extensão, esse projeto mostra-se favorável uma abordagem interdisciplinar através da colaboração entre os professores de Departamentos e Centros diversificados, abrindo um novo campo de pesquisa e um novo eixo articulador da produção acadêmica.

Outra meta importante e viável é tornar visível à sociedade uma parceria entre organizações governamentais e não governamentais na realização de um trabalho colaborativo que tem a Educação em Direitos Humanos como eixo integrador. Esta construção de alianças poderá ser a resposta que a comunidade piauiense espera como uma alternativa para a luta contra as violações aos Direitos Humanos.

Educar para os direitos humanos significa estabelecer um compromisso afetivo, cívico, ético, intelectual e de paixão pela vida humana onde a luta pela exibilidade dos direitos humanos é uma constante diante da situação em que se encontra a humanidade.

por João Paulo Mourão, on-line

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O furto da agenda preta

Já passavam das 7:30h e o estágio começava às 8:00h; as pautas estavam agendadas e dentro daquela agenda preta, com seções laterais por ordem alfabética e capa de plástico (não tinha nenhum contato anotado, mas estava servindo pra colocar o material dentro). E ela, sem mais nem menos, sumira..! Começa o escândalo e a preocupação.
"A chefe vai me matar, mas isso depois da produtora me estrangular e a locutora me esganar meticulosamente", pensava eu. Não tinha mais o que fazer: era ir de mãos abanando ou faltar e perder o horário do ponto. Não tive escolha: - fui, a contragosto, mas fui.
"Agora é ir pensando numa explicação viável e convincente", arquitetava eu. "É, mas de que adianta tentar enganar uma pessoa experiente em apurar a verdade dos mais mentirosos e farsantes personagens do dia-a-dia: uma jornalista?!", murmurava.
Sem mais pensar, achei por bem exclamar o que realmente ocorria: "Chefe: me furtaram a agenda e perdi as pautas com ela. É o que tenho a declarar por agora e espero - não que me entenda - mas que isso explique a falha."
Ela me olhava de alto a baixo, olhar perfuro-cortante por detrás dos óculos grená e uma expressão de descrédito misturada com menosprezo no fundo dos globos oculares. Um sorriso de escarninho começava a brotar de seus lábios. Contudo, o desfecho fora mais estranho ainda: "Tá, então esquece tudo aquilo e vamos procurar outras pautas aqui, depressa! E tente não esquecer mais o que faz, se concentre!"
Fiquei surpreso, extático, boquiaberto. Me comportara como um idiota e ela nem fizera tanta questão do caso; poderíamos então continuar contactando as fontes, fazendo as entrevistas e buscando as pautas como de costume, e a redação retornava ao costumeiro entremear de vozes, cliques e passos cruzados...
De sorte que, no fim do dia, ao voltar ao quarto-escritório de estudo, em casa, avistara uma coisa que eu já conhecia bem: - a droga da agenda, caída e encostada na parede, detrás da escrivaninha; "que merda!", pensei instantaneamente: "Porra, tanta confusão sem motivo, levar bronca à toa!"
E desde esse dia até então, aprendera uma das condutas mais importantes do repórter: nunca perca uma agenda, seu bastardinho foca!
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domingo, 6 de janeiro de 2008

Meu pé meu querido pé...!


Passarinho que som é esse?

SÃO 28 FAIXAS!!!
Eu baixei no emule o CD do compositor, Hélio Ziskind, CD chamado "Meu Pé, Meu Querido Pé", que tem 46 faixas, da 1 à 18 são várias trilhas infantis que o cara fez para a TV Cultura, Glub Glub, Ratinho do Castelo Ra Tim Bum, abertura do Castelo Ra Tim Bum, etc e da 19 à 46 são as 28 faixas do "Passarinho: Que Som é Esse?".

Eu procurei em "Arquivo" no emule, busquei por

passarinho que som

É muito legal!

Meu Pé, Meu Querido Pé
Todas as músicas compostas por Hélio Ziskind, exceto Castelo Rá-Tim-Bum - abertura (de Hélio Ziskind, André Abujamra e Luís Macedo), Castelo Rá-Tim-Bum (de Hélio Ziskind, André Abujamra e Luís Macedo) e Lá vem a história: Plutão (poema de Olavo Bilac e música de Hélio Ziskind)

Saiba mais sobre Hélio Ziskind

1. Ratinho Tomando Banho
Intérprete: Hélio Ziskind
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura

2. Cocoricó (abertura)
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Paulo Tatit e Tatiana de Souza (vocal)
Canção criada para o Programa Cocoricó - TV Cultura

3. Tu Tu Tu Tupi
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Geraldo Leite e Ná Ozzetti (vocal)
Canção criada para o Programa Cocoricó Especial - TV Cultura

4. A noite no castelo
Intérprete: Hélio Ziskind
Prêmio Sharp de melhor música infantil (1998)

5. X-Tudo e o avestruz
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Geraldo Leite, Carolina S. Ziskind e Laura Carmona (vocal)
6. Ratinho: rap do reciclar
Intérprete: Hélio Ziskind
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura

7. Castelo Rá-Tim-bum (abertura)
Coro: Maria Rita Kfouri, Maria Aparecida de Souza, Carlos Alberto de Souza e José Carlos Menezes
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura
8. Ratinho escovando os dentes
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Geraldo Leite e Ná Ozzeti (vozes)
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura

9. Porque sim não é resposta
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Marcelo Tass (voz do Telekid) e Walker Blaz (voz grave)
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura

10. Glub Glub (abertura)
Intérprete: Hélio Ziskind (voz) e Ná Ozzeti (vocal)
Canção criada para a abertura do Programa Glub Glub - TV Cultura

11. Saquinho Plástico
Intérpretes: Hélio Ziskind
12. Marchinha da sereia
Intérpretes: Hélio Ziskind e Tatiana de Souza (canto), Fabiana de Souza (voz da sereia) e Geraldo Leite (voz de baleia)

13. Lá vem a história: Plutão
Interpretes: Hélio Ziskind e Ná Ozzeti (canto) e Fábio Widman (voz "Lá vem o quê?")
14. Carta da Clarinha
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Maria Rita Kfouri, Maria Aparecida de Souza, José Carlos Menezes - Ringo - e José Luiz Burato (coro)
Canção criada para o Programa Cocoricó Especial - TV Cultura

15. O Galileu Cantou!
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz), Maria Aparecida de Souza, Rita Kfouri e Cláudia Ferreti (coro)
Canção criada para o Programa Cocoricó Especial - TV Cultura

16. Banho de aventura
Vozes: Hélio Ziskind e Paulo Tatit
Canção criada para o Programa Banho de Aventura - TV Cultura

17. Sono de gibi
Intérpretes: Hélio Ziskind (voz e ZZZZ), Paulo Tatit (ZZZZ) e Denise Ruiz (suspiro)
Prêmio Sharp de melhor música infantil (1995)

18. Vinheta Blém-Blém
Intérprete: Hélio Ziskind


Passarinho: que som é esse?
Todas as faixas abaixo são desta música, interpretada com instrumentos diferentes, e fazem parte de um bônus oferecido no CD "Meu pé meu querido pé".
Vozes das passarinhas: Maria Aparecida de Souza, Rita Kfouri, Sueli Gondim e Tania Leite.
Canção criada para o Programa Castelo Rátimbum - TV Cultura.

19. Bandolim
Bandolim: Mário Manga

20. Clarinete
Clarinete: Edmundo Guimarães Cortês
21. Vibrafone
Vibrafone: Carlos Tarcha

22. Violão
Violão: Mário Manga

23. Baixo Elétrico
Baixo Elétrico: Swami Junior
24. Gaita
Gaita: Rodrigo Rodrigues

25. Flauta
Flauta: Toninho Carrasquera
26. Guitarra
Guitarra: Mário Manga
27. Sanfona
Sanfona: Toninho Ferragutti

28. Violino
Violino: Martin Sarrasague

29. Pandeiro
Pandeiro: Sérgio Chica
30. Harpa
Harpa: Sílvia Ricardino

31. Tuba
Tuba: Marcos dos Anjos Júnior

32. Viola Caipira
Viola Caipira: Passoca
33. Violoncelo
Violoncelo: Mário Manga

34. Baixo Acústico
Baixo Acústico: Ruy Deustsch

35. Bateria
Bateria: Duda Neves

36. Zamponha
Zamponha: Juan Francisco Escobar

37. Trompa
Trompa: Ozéas Arantes

38. Flauta doce
Flauta doce: Ana Cristina Rocha

39. Trombone
Trombone: Matias Capovilla
40. Tumbadora
Tumbadora: Sérgio Chica

41. Oboé
Oboé: Gilson Barbosa

42. Piano
Piano: Denise Garcia
43. Trompete
Trompete: Claudio Faria

44. Cítara
Cítara: Alberto Marsiano

45. Fagote
Fagote: Mary de Macedo Rodrigues

46. Saxofone
Saxofone: Edmundo Guimarães Cortes


-X-


Quer ouvir? Pois ouças:

http://www.mp3tube.net/br/musics/Passarinhos-Castelo-Ra-tim-Bum-Passarinhos-Citara/98934/

Quer ver? Pois vejaí:

http://www.youtube.com/watch?v=qG-b-MGRqqw&feature=related
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Nenhum, que me lembre...

Não serei poeta;
não transmitirei a criatura alguma o legado de soberba da mocidade...

Serei jornalista?
Serei jurista?
Ou serei escriturista?

Coisa mais futurista!

[Papéis diversos, diretório Desktop, jan_2008.doc]
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

RADIO LIBRE!

MUITO PERTINENTE FAZERMOS ALGO SOBRE O ASSUNTO AQUI, JÁ QUE SOMOS UMA FRANCA NEO-METRÓPOLE E INCLUSIVE TEMOS PROBLEMAS PARA SOLUÇÕES QUE APARECEREM, OU SERIA O ANVERSO?!


Favela FM, Uma onda que vem do morro

Cláudia Mesquita e Tânia Caliari

- Dá pra tocar uma música?
- Aí, essa rádio não toca música não, toca é idéia.
- Ah, tá. Então tchau.
- Falô. Quem quiser ligar aí pra falar sobre a Rádio Favela, tem aqui duas repóter da revista Palavra. É uma revista que você não conhece, porque só quem tem poder aquisitivo pode comprar. Na favela não chega nem jornal, é só rádio mesmo. Mas se você quiser falar sobre a Rádio Favela FM, 104,5, liga aí: 282-1045.

Mal entramos no estúdio da Rádio Favela, um quarto apertado na construção ainda em acabamento, e Misael já convoca os ouvintes (ou "escutantes", no jargão da rádio) para conversar com a gente no ar.

A janelinha do cômodo enquadra bananeiras e a vista de um dos morros apinhados de barracos de alvenaria do Aglomerado da Serra - a maior favela de Belo Horizonte, localizada na zona sul da cidade e composta de 11 vilas, cujas populações somam pelo menos 100 mil habitantes.

Em meio ao entra e sai e às conversas no estúdio, o telefone não pára de tocar. Da Lindéia, na região sudoeste da cidade, o escutante Clever manda suas impressões sobre a rádio: "As outras rádios não têm moral pra falar. A Favela tem. Na Favela falam papo da gente, de mano, de chegado...".

"De preto pra preto", decifra Misael, 39 anos, um dos criadores da rádio que no final dos anos 70 invadiu o dial através de um transmissor improvisado, movido a bateria de caminhão, quando ainda não havia energia elétrica na favela. Para rodar a música, um toca-discos a pilha.

Ligados nos bailes de funk e soul que surgiram na época nas ruas próximas à favela, os criadores da rádio conheciam bem as palavras de ordem que, nos alto-falantes, denunciavam a discriminação e pregavam a auto-afirmação do negro - ecos do movimento Black-Power e do Black is Beautiful, aqui reinterpretados.

Hoje munida de um moderno equipamento italiano de transmissão, a Rádio Favela acumula, entre outros feitos, duas condecorações da ONU pela atuação no combate às drogas e à violência, e as marcas não-oficiais de segundo lugar na audiência na zona Sul de Belo Horizonte e quarto lugar na Região Metropolitana da cidade.

Não-oficiais porque a medição do Ibope inclui a Fabela na categoria "outras", vala comum onde se misturam todas as rádios não-comerciais da cidade - nenhuma com a grande penetração da Favela, considerada hoje a rádio comunitária de maior audiência do Brasil.

A eclética comunidade de escutantes despreza a geografia e confirma o prestígio e o alcance da rádio, que chega a atingir 90 outros municípios além da capital, quando opera a maior potência.

Nesta segunda-feira, enttre 17h e 18h, durante o programa "Uai Rap Soul" (ou Uai Rap Sô!), o responsável pelos prêmios da ONU, eles ligam de Ibirité a Ribeirão das Neves, cidades vizinhas, e de bairros espalhados pelos quatro cantos de Belo Horizonte, tanto no "asfalto" quanto na periferia: Ouro Preto, Caiçara, Concórdia, Céu Azul, Alto Vera Cruz, Tony, Paulo 6º, União, Serra, Alto dos Pinheiros, Monte Azul, Estoril...

* * * * *

- Cê tá falando de onde?
- Do Horto.
- Qual é o seu nome?
- Juninho.
- Tudo bom, Juninho?
- Melhor ainda agora, né, que a Rádio Favela voltou. Eu tava sentido a maior falta... Eu e a minha freguesia aqui no bar.


Juninho talvez tenha ouvido algum dos boatos que correram sobre o fechamento recente da rádio, que se estendeu por quase um mês. A causa foi a liminar emitida pela 17ª vara da Justiça Federal de Minas Gerais, cumprindo um pedido de fechamento feito pela Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, que alegava a falta de concessão de canal da rádio, e a reincidência do descumprimento de ordens de fechamento anteriores, e a interferência em freqüências de outras rádios do dial.

A Favela voltou a operar há poucos dias, depois de esgotado o prazo imposto pela liminar para que a Anatel avaliasse a situação da emissora. É a primeira vez que a rádio some do dial, para indignação dos escutantes.

A história da Favela é uma crônica de enfrentamentos e o histórico de "pulos" da polícia - como eles se referem às blitz - é extenso.

Apesar de táticas de resistência como o silêncio dos vizinhos e as mudanças freqüentes de QG (cerca de 30 em 20 anos de vida!), a rádio foi fechada pela polícia pelo menos cinco vezes. A penúltima, em 1997, teve ares de operação de guerra: mais de 700 policiais, dois helicópteros e quatro atiradores de elite cercaram o barraco onde a Favela estava instalada, levando todo o pessoal. "Isso aqui é marca de algema, de prisão por conta da rádio", conta Misael, mostrando os pulsos.

Dos cerca de 50 adolescentes da antiga Cabeça de Porco, atual Vila Nossa Senhora de Fátima, amigos de baile e futebol que nos idos dos 70 tiveram a ousadia de criar uma rádio na favela, Misael calcula que restou um quinto por ali. Os outros tiveram o destino da periferia de grandes cidades brasileiras: "Os que não morreram estão na cadeia".

Microfone aberto para todos os ruídos, a Favela não tem locutor padrão. "Eu fico 12 horas falando no rádio, você acha que dá pra ter voz de veludo?", pergunta Misael. Neste dia, cerca de 15 pessoas batem papo no estúdio - é a "família Favela", voluntários que mantêm a rádio no ar, mais alguns agregados, preparando-se para uma reunião logo mais. A pauta: a Favela entrou com um processo junto à Delegacia do Ministério das Comunicações de Minas Gerais e está em vias de conquistar a outorga de rádio educativa. Se o processo vingar, será uma das poucas a operar legalmente entre as cerca de 20 mil rádios que requerem concessão junto ao Ministério das Comunicações.

* * * * *

Maria do Carmo, dona de casa de General Carneiro, zona leste da cidade, abre o coração no ar. Pena que Dona Mariquinha, apresentadora e alma do programa "Rose Choque", programa de mulher na Favela, não está lá hoje para ouvi-la. Nasceu sua nova neta e ela está cuidando do rebento. Alguns ouvintes ligam para parabenizar. Preta retinta de 75 anos, Dona Mariquinha não sabe ler nem escrever. Sua conversa na rádio é de improviso e fala de tudo: como curar umbigo de recém-nascido, conselhos sobre enfrentamentos com maridos violentos, dicas de saúde.

Como no grosso da programação da Favela FM, o "Rose Choque" acaba, intuitivamente, por valorizar a fala e os símbolos do morro, "traduzindo" numa linguagem comum informações às vezes distantes. Usando expressões que não encontram nos meios de comunicação "legais".

O programa é "Arapuca Caipira", oito da manhã em ponto. Misael dá mais uma notícia: o número oficial de assassinatos no Aglomerado da Serra em 1999 é, até o momento, 52.

"Isto é o que eles divulgam, porque tem muito morro aí que não entra na conta. Deve estar chegando em 80". Misael compara a cifra com os 42 assassinatos no mesmo período de Jardim Ângela, em São Paulo, "a região mais violenta do Brasil".

"Quando é no Jardim Ângela a imprensa cai em cima. Daqui ninguém fala. A imprensa não divulga nem aprofunda, porque as construtoras impedem o destaque. A gente mora perto de uma área em que o apartamento custa o olho da cara", diz, referindo-se ao bairro da Serra.

Não faltam histórias sobre a violência no morro, que abrevia a história de parte da população jovem.


* * * * *

"Tenho 29 anos e estou vivo, contrariando as estatísticas", diz o ex-"avião" do tráfico Hudson, hoje repórter volante da rádio Favela.

"Os adolescentes das favelas ainda não perceberam que a idéia que rola aí é que a gente mate uns aos outros. O dia que eles perceberem isso, o jogo vai virar. E isso é para tudo. Você só faz revolução reivindicando o que é seu", prega Misael, nos bastidores.

No "Aerobrega", Oswaldo anuncia a morte do senhor Sílvio, da padaria Jota: "Amanhã vão sair dos ônibus da pracinha da padaria, no final da linha de ônibus 2151, para levar quem quiser ir no enterro". Mais tarde, entra no ar uma assistente social do Hospital João 23, para localizar a família de Leandro, um menino de 12 anos que caiu da traseira de um ônibus, quando voltava da escola. Passa bem mais não se lembra do nome da rua onde mora, na Vila Ventosa, Aglomerado da Serra.

"A Rádio Favela é a Internet dos favelados", costumam dizer os locutores, referindo-se à rede de informações e solidariedade criada pela rádio, que, segunda a voz corrente, resolve em menos de três horas qualquer pendenga de perdidos e achados.

A rede informal de serviços não pára por aí. "Eu estou desempregado e fui abandonado pela minha mulher. Os filhos ficaram comigo. Eu queria saber se tenho direito a uma pensão alimentar", pergunta o ouvinte do bairro Padre Eustáquio, durante o programa "Escutando Direito", de consultas jurídicas, realizado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Jovem.

Os serviços práticos prestados à comunidade extrapolam as ondas do rádio e se materializam em campanhas assistencialistas e ações integradas. Aliada ao Lyons Club e à Secretaria Municipal para Assuntos da Comunidade Negra, da Prefeitura de BH, a Rádio Favela encabeçou uma campanha para que os moradores do Aglomerado da Serra tirassem seus documentos.

Cerca de seis mil pessoas compareceram à estrutura montada numa escola municipal da Serra. Só 300 conseguiram tirar a "identidade" - a maior parte, por falta de certidão de nascimento.

Para os músicos que desejam divulgar seu trabalho na Favela FM, o "jabá" é diferente. Basta subir no morro com seu CD debaixo do braço, sem se esquecer de levar também alguns lápis e cadernos - que a rádio distribui entre as escolas da comunidade. Gabriel, o Pensador, rapper do "asfalto" carioca, se sensibilizou e doou 1.500 cadernos para a campanha informal da Favela. Sempre tocou na rádio.

Um dos programas mais fortemente identificados à Rádio Favela é "Uai Rap Soul", com Rogério, com Misael ou com qualquer voluntário que estiver no estúdio na hora. Nada que comprometa. O estilo improvisado da Favela FM é talvez o melhor retrato da vida no morro. Transforma a emissão numa fonte de renovadas surpresas, ao contrário das rádios comerciais com sua programação estanque e padronizada.


* * * * *

As transmissões ao vivo são uma das marcas da rádio, que realizou cerca de 60 no primeiro semestre de 1999, incluindo jogos de futebol de várzea, campanhas comunitárias comandadas pela própria Favela, eventos culturais e até "grandes reportagens".

Foi o caso da transmissão feita do presídio de Neves, município vizinho a Belo Horizonte, onde os "repórteres comunitários" da Favela botaram os presidiários no ar para falar da vida e mandar recados para os amigos de fora das grades.

Todo santo dia, às seis da tarde, a Favela põe no ar o seu "momento de reflexão": leitura de um trecho bíblico, mais "Ave Maria" com Steve Wonder e a benção de um padre gravada. Com Deus não se brinca. O "momento de reflexão" é provavelmente a única parte da programação da rádio que vai ao ar religiosamente no mesmo horário. Nesta quinta, pela voz de Paulo, conhecido como DJ a Coisa. O tema é mais que simbólico: a virtude da perseverança. E a perseverança acabou premiada.


Fonte: http://www.ecologiadigital.net/amarc/favela.html
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Putrevagens!

Neologísticas me confrontualizam:
seio e ceio no mesmo natalístico!

A língua de Minerva e de Afrodite
musa pagã e dona ordeira!

Poemúsculo feito nas coxas
fetiche holístico de orgástimos pulsos
mulheril traçado à risca, frente e verso
mas com filhotes de poesiasinhos
em cerca de nove em nove meses cada...

Boca desamassada pela palavradorada:
amor, pudor, temor, furor,
calor, suor, ardor, dor,
cor, olor, sabor, estupor!

Olá, paternidade;
até breve e nunca folgarzionice!

Púlpitos e altares messiânicos, esculpi e empompei-os
Andrajos de sarjeta, calçadas de batente baixo:
cuspi, vomitei, mijei e defequei.

Um ciclo se fora, um perímetro circundenciou meu signo.
Patético, famigerado, ontométrico, perfunctório instante.

Perdi, ganhei; morri, vivi.

Sarei, sorri; chorei, feri...

J.P.

17/12/2007
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domingo, 16 de dezembro de 2007

OLD JOURNALISM

Formação e Informação Universitária
(uma aula inaugural)

"viver efetivamente é viver com a informação adequada", diz Norber Wiener, o fundador da Cibernética.
(...)

A universidade brasileira - e muitas universidades européias - estão em crise, porque se recusam a compreender que chegaram à época da muda, que é preciso trocar a epiderme e as entranhas aristocráticas pelo pêlo democrático e de massas.
(...)
Marshall McLuhan, o chamado "profeta das Comunicações" de nosso tempo, declara que é preciso substituir a instrução pela experimentação e pela invenção.

[PIGNATARI, Décio. Contracomunicação. Ed. perspectiva: São Paulo, 1973]

Queria ver, então, caro interleitor, o que dizem as seguintes webpages:

http://ocupacaoufba.blogspot.com/

http://ocupaufpe.blogspot.com/

http://www.ocupacaodaufc.blogspot.com/

http://ocupareitoriaufma.weblogger.terra.com.br/

http://ocupacaousp.noblogs.org/

http://www.ocupacaounesp.blogspot.com/

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007





A música e o cigarro

FUMANDO ESPERO (EN PORTUGUES)
Letra de J. Villadomat Masanas
Musica de Felix Garzó

versão de Eugênio Paes

Fumar é um prazer que me faz sonhar
Fumando espero aquele a quem mais quero
Se ele não vem, então me desespero
E, enquanto eu fumo, depressa a vida passa
E a sombra da fumaça me faz adormecer

E assim sempre a sonhar, fumar, amar
Por todo instante aquele a quem mais quero
Sentir seus lábios, beijar com desespero
Seu coração bater juntinho ao meu
Sentindo entre carícias seu corpo estremecer.

Antes de adormecer é o fumar um prazer
Dá-me, dá-me a tua boca
Beija até que eu fique louca
Quero assim enlouquecer de prazer
Sentindo esse calor do beijo embriagador
Que acaba por prender a chama ardente desse amor!

FUMO E FUMANTES Joferdeli (*)

Não sei como se interessa / alguém, pela vida inteira. / num hábito que começa / trazendo náusea e tonteira ! / Muito homem culto e notável / faz essa imensa bobagem. / Rende ao vício vassalagem / ridícula e detestável... / Contrastante desconsolo no viciado se situa; / quanto mais saber possua, / tanto mais se mostra um tolo! / Condenável é o fumante, não apenas por fumar / mas por viver, irritante, toda gente a defumar... / Inexperientes meninos são pelo sestro empolgados, acreditando, coitados, ficarem mais “masculinos”... / E mulheres delirantes, nos clubes, no lar, nas praças, andam soltando fumaças, / assim se crendo “elegantes”! / Pobres de espírito, apenas, / que por doentia vontade, / de um erro incorrerem nas penas, / sem qualquer necessidade! / Imensa turba assim anda; / seu arbítrio negligente / fá-la vítima inocente / de nociva propaganda... / poder-se-ia desculpar / os que contraem tal vício / se o costume de fumar / fosse agradável de início. / Mas não... E o ato pensado / de forçar o próprio gosto, / pôr-se enfermiço, disposto / a transformar-se um viciado. / Resulta estranho e chocante / a quem cultiva o bom-senso; / por isto às vezes penso / ser néscio todo fumante... / Na estapafúrdia atitude / de seu mental defeituoso, / o tabaco é-lhe precioso / mais do que a própria saúde... / Se contrai tosse nervosa / ou mesmo bronquite crônica, / não a julga perniciosa, / mas benigna e até eufônica! / Estar no vício é seu lema, / surdo, a qualquer advertência / do câncer ou do enfisema, / da religião ou da ciência... / Mania aviltante e escusa, / tem surto dos mais incríveis, / que atinge todos os níveis / da Sociedade confusa!

(*) José Fernandes de Lima Filho

Nota: Peço desculpas aos amigos fumantes. Não tive intenção de ofendê-los. Trata-se apenas da opinião de uma pessoa não-fumante.

Sem problemas, que o inverso vem logo aqui, na voz de Nelson Gonçalves:

"Fume um cigarro que passa esse nervosismo seu,
Fume um cigarro e esqueça o que aconteceu,
Não deve haver a maldade, somente amizade
Entre você e eu,
Fume um cigarrro e esqueça o que aconteceu..."

Ao que Linda Batista respondia, decidida:

"Fumei centenas de cigarros, não me acalmei..."

Centenas de cigarros, já pensaram?
Mas o grande clássico para mim é com a magistral Nora Ney:

DE CIGARRO EM CIGARRO
(Autor: Luiz Bonfá)

"Vivo só sem você
E não posso esquecer um momento sequer,
Vivo pobre de amor, à espera de alguém
E esse alguém não me quer,
Vejo o tempo passar, o inverno chegar,
Só não vejo você,
Se outro amor em meu quarto bater
Eu não vou atender.

Outra noite esperei, outra noite sem fim
Aumentou meu sofrer,
De cigarro em cigarro
Olhando a fumaça no ar se perder..."
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