Blog liberto a público de arte abstrata-concreta, literatura mundana, jornalismo experimental e direito cotidiano. ¡Pensare reactivus est!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia Evolutiva (uma estorinha bem pessoal até...)


Poesia Evolutiva



Ah...Quando somos fetos em borbulhas de amor até dois anos de idade;

ouvimos falar de poesia pela mãe ou pelo pai, alguma visita, enfim,

se é que eles gostam de nos falar disso ou daquilo...

Quando somos ainda meio crianças entre três e seis anos de idade,

lemos, decoramos, declamamos e adoramos poesias com vontade,

se em casa ou na escola nos ensinam isso ou aquilo.

Quando somos crianças até dez anos de idade,

começamos a querer interpretar e saber de fato

o que é que são as poesias. Haja fôlego, espírito intranquilo!

Quando na adolescência e puberdade chegamos,

a vida, o pensamento e algumas poesias ocorrem

alguns vivem, outros pensam, alguém (re)escreve...

Poesias de virar a noite, de romper o dia!

Poesias de flertar a morte, de esnobar a paixão.

Poesias de contar com a sorte, de cair em ilusão.

Poesias de dizer um mote, de cantar o que se sabia!

Mas a poesia hoje é o que nos relembra a humanidade que em cada ser é.

Poesia sentimento, poesia ação, poesia introspectiva, poesia extrovertida...

Poesia pegou em mim, me seduziu, me sacudiu com o raciocínio e senti amor.

Poesia pairou no ar diante de minha incredulidade e me fez contemplação, irrealidade.

Poesia por todos os cantos, de todas as formas, comigo ela mexe; e contigo?

Quando somos mais maduros e velhos, por vezes enviesamos a mente:

a traímos com a prosa seja no livro mais querido, seja na literatura mais lógica e meramente laboral.

Então só de vez em quando a poesia é renamorada e rememorada em um ou dois versículos,

pois sua linguagem, todavia, não é para seres comuns, é para seres sublimes e errantes.

Tenho saudade das poesias que vinham e inspiravam paz, refôlego e toda a vida devir.

Minha sorte, - não sei a sua, não sei a vossa -, é que a poesia, ela de vez em quando reaparece;

traz novidades, reanima meus pensares e suscita idéias de meditação.

O mais importante, como se sabe, é poder ler e escrever para que outrem sinta algo diferente.

Quanto mais diferente você puder sentir-se, isto é o que faz a poesia necessária, plena.

- Nunca perca a poesia! Nunca nos perca, poesia!

Ei poesia, tu sabias que eu te amo quando uma menina acolá me beija e te poetisamos juntos, por sua causa? Pois é, pois é, ora pois não, ora pois não! Mas poesia, aqui entre nós, a gente te vive mesmo sem dizer tudo até o fim, a gente te sente é na língua na língua, amor no amor... você saca o que queremos dizer não é?

(para Márcia M. com todo o amor que houver nesta, nas anteriores e nas outras vidas, pois ela é minha poesia-mulher, apesar de estarmos tão distantes e meio separados hoje – tudo por culpa do mundo dos homens, você sabe disso -, serei teu eterno namorado e poeta marginal)

jpsm

Share/Bookmark

forasteiro no jornalismo investigativo piauiense dá...morte!


os jornalistas investigativos



eles foram separados por mais de 10 anos de vida, não possuíram reportagens em comum - mas se debruçaram sobre a mesma e perigosa área: o jornalismo investigativo.



para a cúpula da imprensa provincial eram obstáculos, eram desordeiros, eram problemáticas a toda hora.

para a cúpula do poder político reinante eram corpos a enterrar; mas mesmo assim, eram bocas a calar, ouvidos a cerrar e olhos a fechar, além de peles a dissolver e cérebros a liquidar.

para a justiça, eram reencarnações de heróis não gratos em nenhuma das altas távolas e rodas sociais do lugar, meros problemas de despachos peremptórios.



um nos anos 80 outro nos anos 90; mas parece que vivíamos nos rádio, tele e jornal espectadores atuais, inclusive de portal - nao pra outro mundo, mas para o mesmo estado de coisas.



a morte os separou da rotina e do trabalho jornalístico, mas suas vozes ainda ecoam nos corações, mentes e memórias de muitos que os viram, ouviram e leram.



Donizetti Adalto e Helder Feitosa.

Essas poucas linhas para V.S.ªs, vocês merecem este relembrar caritativo.



14/03/2011

S/N JPSM

Share/Bookmark

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Escritor, o Livro e a Livraria do Futuro




Após passar por meu caminho habitual pela biblioteca universitária, cheguei à Livraria da UFPI (Monsenhor Melo) e lá encontrei meu colega de "dois dedos de prosa" empertigado com seu ofício de elaborar coletâneas de aforismos e máximas da sabedoria dos escritores piauienses, principalmente.
Como era oportuno, comentei com ele sobre umas novidades a que tivera acesso no campo da biblioteconomia. E o que mais me surpreendera era sobre a história de tal ciência organizacional do conhecimento: das pinturas rupestres, passando por placas de argila, tipos ideogramáticos orientais, papiros, até os manuscritos dos copistas, a (im)prensa gutemberguiana, as brochuras medievais com iconografias, as enciclopédias e coletâneas modernas, os tomos e volumes, e livros, e capítulos, e parágrafos, e linhas, e palavras hodiernas.
Então lhe falei que, na Universidade de São Paulo, já fazem mais de 30 anos da implantação de um sistema integrado de bibliotecas daquela briosa universidade brasileira, de modo que - hoje - um aluno pode ter acesso a qualquer título (livro, revista científica, periódico, etc.) de forma digital, através de pontos de consulta com acesso à intranet (rede interna de dados, local) ou mesmo de seu netbook, celular, tablet... com acesso à internet (rede externa de dados, mundial).
Houve e há por parte dos biblioteconomistas brasileiros dos mais diversos setores do conhecimento um esforço sobre humano para digitalizar seus acervos, principalmente obras raras, as quais têm risco de decomposição de seus acervos, principalmente obras antigas raras, as quais têm risco de depreciação ou comprometimento de conteúdo devido às intempéries. E com o acessar disponível, aparecem as bibliotecas virtuais globo afora.
O que há de mais importante nesse processo diz respeito ao escritor e à livraria do futuro: os livros de hoje serão meros catálogos para consulta antes da compra do material digital. Logo, as livrarias serão compostas de monitores ou projetores de hologramas com toda a listagem de seu acervo digital em convivência com os tradicionais expositores, prateleiras com os atuais livros e revistas em papel, plástico,... como já é.
Não é radicalizar a ponto de dizermos que as bibliotecas e livrarias de hoje serão sebos ou museus amanhã! Contudo, é preciso sermos realistas e compreendermos que a evolução torna-se inarredável, inevitável: o conhecimento, o saber da humanidade vai circular em novas plataformas; daqui há pouco, nossos jovens e adolescentes serão responsáveis por uma acessibilidade, uma usabilidade e uma operatividade do sistema cultural e intelectual cada vez mais versátil.
A educação à distância, com tutores-professores virtuais, e-books (ou e-livros, em português), provas via computador, além de aulas via web conferência e plataforma multimídia já nos sinalizam para o que devemos presenciar brevemente. O jornalismo colaborativo, com notícias de todo tipo em real time (tempo real), a comunicação colaborativa e a troca de dados e informações via redes sociais na internet, enfim, o ao vivo de verdade mesmo: isso é um estágio de transição entre uma e outra geração - sem grandes choques ou conflitos ideológicos -, até porque a mania é se reciclar!
Os núcleos e centros de pesquisa de excelência interagem velozmente, as descobertas e as inovações não demoram tanto a surtir efeitos por causa das novas tecnologias; e tudo começa lá: na biblioteconomia.
Portanto, para ser sucinto: aprender a reaprender, em tempos e lugares cosmopolitas proporcionados pelo instantâneo acesso ao saber universal, ao conhecimento de ponta e altas habilidades (aliadas a inteligência artificial) são o prenúncio do futuro - seja ele escrito ou não - e da vida, em todos os sentidos.
Vamos ler o mundo com novos olhos, ouvidos e tato também.

João Paulo Santos Mourão (graduando em Comunicação Social – Jornalismo/UFPI)



22/03/2012

Share/Bookmark

sexta-feira, 23 de março de 2012

Educadores sociais midiáticos: o papel atual do comunicador de massa

Educação virtual




No Brasil, como em qualquer lugar do mundo, as pessoas param a admirar algo que choca: algum rabisco de piche, performances a céu aberto, declamações em praça pública, megafones a plenas vozes... mas então a mídia trivial vem, se acerca de tudo isto e transforma imediatamente em noticiário, jornal popular. O que era para ser rebeldia e reflexão coletiva, ou no mínimo livre manifestação do pensamento, vira assunto de rádio e tevê.

Mais eis que se ergue a fibra óptica da internet, seus canais de conversação em salas virtuais de bate-papo, comunicadores instantâneos, páginas eletrônicas, diários pessoais da web, redes sociais e o que há de vir e se deixar por lá: porque com tanta informação aí ela deixa de ser nossa e se torna plural da grande rede de computadores, anônima como inclusive se chama um grupo de pesquisadores e hackers mídia livristas.

Interessante dizer quanto tempo demorou para nossa vida mudar e o quanto ela mudara em tão curto intervalo de tempo para maturação das táticas de uso e fruição da carinhosamente apelidada ‘net: cerca de vinte anos (se contarmos 1993 como o ano de início da instalação e socialização da internet entre nós brasileiros das classes C, D e abaixo). Hoje, há a disciplina informática, que aliás virou matéria da maior importância para sucesso nos estudos e adiante.

Muita criança já aprende a lidar com eletrônicos bem antes de balbuciar as primeiras letras: é a informação automática, a informática que as torna precoces e superdotadas, pois o sistema de conhecimentos assim o exige e exigirá tanto mais quanto mais desenvolvidas forem as ciências e suas tecnologias.

Estamos em um estágio misto de saberes nativos e alto desenvolvimento, entremeado por questões sociais e humanas difíceis de serem resolvidas sem que haja a educação integral, entendida como formação por inteiro do ser social e humano, portador de direitos, deveres e desejos os quais supram o mínimo existencial para o exercício de sua profissão e vida familiar, inserção institucional burocrática, etc.

Como extender aos povos nativos puros da Amazônia ou do interior do Piauí conhecimentos, práticas e técnicas que os empoderem, instrumentalizem e profissionalizem junto ao modo de ser da sociedade em rede pós-moderna? Que caminhos eles podem trilhar para haver inserção e cooperação de parte a parte, sem que uma invada o modo de viver da outra e vice-versa?

Esse seria, é e será sempre um papel a ser mediado pela comunicação social em suas diversificadas formas habilitadas: jornalismo, assessoria de imprensa, relações públicas, cinema, rádio e TV, publicidade e propaganda, marketing,... e o que mais há de vir. Pouco a pouco estes profissionais tornam-se os educadores sociais midiáticos a uma nova era. Eis aí um outro ponto a ser estudado, pensado e debatido pelas esferas de poder e decisão!



João Paulo Santos Mourão

Teresina (PI), 05 de março de 2012.


Share/Bookmark

quarta-feira, 7 de março de 2012

PLANO DA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA 2011-2020


O PLANO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO 2011-2020 NO BRASIL

(ANOTAÇÕES DA CONFERÊNCIA PROFERIDA POR DR. JORGE ALMEIDA GUIMARÃES, MUITO ILUSTRE PRESIDENTE DA COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO PERMANENTE DE PESSOAL DE ENSINO SUPERIOR - CAPES, NO CINETEATRO DO CAMPUS "MINISTRO PETRÔNIO PORTELLA" EM TERESINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ AO RECEBER O TÍTULO E GRAU DE DR. HONORIS CAUSA POR ESTA INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR EM FEV/2012)

EIXOS:

1 – EXPANSÃO DO SISTEMA NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO – SNPG;

2 – CRIAÇÃO DA AGENDA NACIONAL DE PESQUISA;

3 – APERFEIÇOAR A AVALIAÇÃO;

4 – INTERDISCIPLINARIDADE;

5 – APOIO A OUTROS NÍVEIS DE ENSINO. (P. EX.: PROJETOS INÉDITOS)

PROJEÇÕES E EXPECTATIVAS DO PNPG

AUMENTO DO PIB EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA & INOVAÇÃO;

AGENDA ESTRATÉGICA NACIONAL;

RACIONALIZAÇÃO E ARCABOUÇO LEGAL;

AMPLIAÇÃO DE GRUPOS DE EXCELÊNCIA.

ORÇAMENTO DA COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE ENSINO SUPERIOR – CAPES

2011: 3,09 BILHÕES DE REAIS(R$)

2011: APROX. 125 MIL BOLSAS (PÓS-GRADUAÇÃO E EDUCAÇÃO BÁSICA)

BOLSAS DE ESTUDO, FOMENTO, PORTAL DE PERIÓDICOS, AVALIAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COM 46 PAÍSES (2011).

PERIÓDICOS CAPES É COMPOSTO DE:

- 130 BASES DE DADOS;

- MAIS DE 30.000 PERIÓDICOS;

- Nº DE ACESSOS/DIA MAIOR QUE 184.640 (APROX. 185.000);

- INVESTIMENTO ANUAL MAIOR QUE 61.000.000 DE REAIS(R$);

O BRASIL ENCONTRA-SE EM 13º LUGAR NO RANKING DOS PAÍSES EM TORNO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA MUNDIAL (2009/2010);



INTERAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE E SOCIEDADE;

PRODUÇÃO UNIVERSITÁRIA E APROPRIAÇÃO PÚBLICA;

AGENDA COMPARTILHADA;



AVALIAÇÃO DOS CURSOS (NOTA DE 0 A 5)

EXPERIÊNCIAS INTERDISCIPLINARES:
A) CONVERGÊNCIA; B) ANCORAGEM DISCIPLINAR; C) TRIPLA ORIENTAÇÃO; D) FLEXIBILIDADE CURRICULAR.

RECURSOS HUMANOS PARA EMPRESAS;

PESQUISAS NAS EMPRESAS E INDÚSTRIAS;

INTERAÇÃO GOVERNO, UNIVERSIDADE E EMPRESAS.

INTERNACIONALIZAÇÃO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL:

A)   CONHECIMENTO NOVO;

B)   GRADUAÇÃO E DOUTORADO SANDUÍCHE;

C)   ATRAÇÃO DE EXTRANGEIROS;

D)   PRODUÇÃO ACADÊMICA COMPARTILHADA.

DIRETRIZES FINAIS E METAS

BANCO DE DADOS A AMPLIAR;

COMITÊ ASSESSOR PERMANENTE E INDEPENDENTE;

PUBLICAÇÕES NOS PERIÓDICOS NACIONAIS DE QUALIDADE;

INSERÇÕES DE NOVAS ENTRADAS CIENTÍFICAS NOS PERIÓDICOS CAPES.

METAS

COLOCAR O BRASIL EM 10º ENTRE OS PAÍSES PRODUTORES DE CONHECIMENTOS NOVOS (INVENÇÕES E PATENTES)

CONCLUSÕES

DESAFIOS: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA INDUSTRIAL E COMERCIAL

DESCOBERTA E VALORIZAÇÃO DE NOVOS TALENTOS

ETC.

Share/Bookmark

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Do que é ser e não ser jornalista

Jornalista dorme tarde, cedo madruga, às vezes vira a noite em busca de pautas, informação, caminho. O não-jornalista recebe relises de encomendas, notas plantadas via correio eletrônico, correspondência de escaninho.

Jornalista estuda teorias, técnicas, práticas, pesquisas, extensões e estagia para inserir-se no mercado profissional. O não-jornalista recebe um quem-indica e age por repetição, cópia ou manual de instruções.

Jornalista seleciona o material de acordo com a ética e o interesse público. O não-jornalista, pelo quem dá mais no leilão de conteúdos.

Jornalista recebe mal o piso salarial, quando consegue emprego. O não-jornalista, bom...olhe nas redações e produções das mídias por aí e observe a assinatura nas páginas de nossos colegas colunistas-sociais e você verá que diferença de valores existe.

Jornalista tem diploma e formação. O não-jornalista tem contatos e outras fontes...

Afinal, para que serve o jornalista mesmo hein?
Ah, lembrei: para informar a sociedade.
E o não-jornalista, para afirmar "a" sociedade.


Share/Bookmark

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O VERDICTO DE DR. JEREBEBEL


CONSULTA MÉDICA

Waldélia nos recepciona com um leve mexer do pescoço e cabeça, agitando os longos cachos castanhos de cabelo. Prestativa, ouve a pergunta atenta, solicita os documentos e requisição do paciente e avisa:
- O dr. Jerebebel só começa a atender às 16h; aqui já está marcado, se você tiver algum compromisso ou negócio pra resolver no centro pode ir que dá tempo voltar antes da consulta.
Pensei mentalmente o que ainda teria de resolver naquele meio tempo, pois ainda eram 14h no relógio do celular. Lembrei exatamente que tinha um relógio de pulso pra colocar bateria nova e um presentinho para comprar p’ras festas natalinas familiares. Pegando e observando o interior da carteira descobri que o relógio sim, teria como pagar-lhe a bateria nova; quanto ao presentinho não, este teria de ficar para outra ocasião.
Andei um pouco, flertei com algumas promoções de vitrine de loja, até chegar à joalheria. O endireitamento do relógio fora rápido, nem deu tempo sequer de entrar em fila: além da bateria ele ganhou uma limpeza no mostrador e na pulseira, tudo por conta da casa. Lanchei um pastelão de carne moída com verduras ali na lanchonete do lado por um preço rezoável. Ao passar próximo à praça Rio Branco não pude deixar de notar a badalada do antigo relógio totem: me restava apenas uma hora!
Queria saber ainda do preço de umas coisas no comércio antes da consulta ao médico; vestuário, calçados, utilidades para o lar principalmente. Só deu pra pegar e anotar o preço da lavadora de roupas, do forno elétrico e do terno preto. Só.
Voltando ao hospital, chequei e ainda faltavam uns cinco minutos; por sorte chegara a tempo de ir ao banheiro e beber um copo d’água mineral no bebedouro. Estava cansado de tanto caminhar no velho centro.
- Waldélia, quantos ainda antes de chegar minha vez?
- Apenas três e um paciente prioridade, viu sr. Joe?
- Oquei, fazer o que não é? (sorriso amarelo)
Desviei a vista para o birô da atendente-secretária do outro lado: ignorando um pouco os sons do ambiente eu a via bailar com destreza e harmonia de uma sala de consultório para seu birô, dançando no vaivém de papéis, telefonemas, mensagens de computador e encaminhamentos. Tão perita na arte de dançar conforme a rotina que nem se dá conta da plástica e mística de seus movimentos! A farda de modo algum lhe retirava o brilho; antes, acentuava-o.
- Sr. Joe Sousilva; depois da sra. Laurência, ouviu?
Assim que a velhinha retirou-se, adentrei no consultório; dr. Jerebebel concentrado e sério como de costume; após visar os exames, pediu que me deitasse no leito e observou:
- Está curado; apenas uma pequeníssima sequela quase imperceptível: cicatrização concluída.
- Obrigado por tudo doutor! Espero vê-lo apenas socialmente, agora; se Deus quiser!
- De nada, boa tarde. É só não fazer extravagâncias e se cuidar bem daqui por diante.

(João Paulo Santos Mourão/ dezembro de 2011)

Share/Bookmark

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Poesia de mercado e de internet (ou anti-dadaísmos puros)

Sim, leitor e leitora: hoje temos poetas em ação fora dos círculos, salões e rotas literárias oficiais, longe dos lançamentos formais; e muitos dos quais ali nascidos no momento vago entre aulas, no intervalo do serviço, na troca de turma ou de turno, entre um trabalho e outro, na pausa da fila de repartição, na parada de almoço ou de jantar.
Chamemo-los de tecnopoetas - pois hoje também os suportes, domínios e plataformas são outros: a tecnopoesia ganha o mundo em frações de segundos, por várias mídias. Nós, os críticos e resenhistas, é que estamos a nos adaptar aos novos formatos e pensares deles.
Cada vez maior é o número de poesias propaganda, poemas para publicidade: dos mais ricos e requintados públlicos até os mais paupérrimos e desclassificados consumidores da massa. É aí que a poesia passa de linguagem abstrata a concreta, de mero ler de fruição a austero ler de desejo: o fetiche em verso e reverso!
Daí ela passa de boca em boca, de mensagem em mensagem, de email em email, até que seja capturada, adaptada e reescrita para fins de mercantilização; a essa altura, o autor ou a autora original já foi desconsiderado(a) e apagado(a) do cenário.
Então, o viral de internet até a camiseta da campanha logo chegam às lojas, depois aos públicos consumidores, os quais compartilham a nova moda do momento entre si, até que surja outra melhor e mais nova, além de supostamente muito melhor.
Um dia essa poesia chega ao autor verdadeiro ou autora verdadeira e - em geral - êle (èla) descobre o quanto sua mensagem fora modificada e alterada.



Mas agora já é tarde demais; não adianta chorar a ideia tomada. É preciso saber lidar com esse novo sistema e seus operadores.

Share/Bookmark

sábado, 5 de novembro de 2011

Feira tradicional do nordeste: uma bodega e suas cenas

Uma ida à feira no centro, manhã de sexta-feira rural.
O calçamento, as portas e janelas, casario colonialesco.
Umas tapiocas, umas rapaduras, meio "litro" de farinha, uma peça de queijo e uma pesada de carne de sol.
Aquela faca de usar no cós da calça para ir ao mato.
O vendedor conhece os clientes por nome, sobrenome e localidade.
O telhado de toscas armações de palmeira, amarrações de embira de palha e telha branca.
As paredes escavoucadas, por pequenos incidentes e por maus elementos da roça deliberadamente ruins.
Os ladrilhos de argila cozida ecoam ao pisado de alparcatas e botas velhas.
Meninote esperto ganha seus centavos em moedas ao levar cargas para algum cidadão de bem.
Pessoas simples conversam na calçada e no comércio a trocar novidades mercantis e etc. e tal.
Miudezas em geral e espécies de toda grandeza.
Prateleiras, Estantes, Estufas, Balcão, Cadeiras e Tamboretes.
Latas, Garrafas de vidro, Potes de cerâmica e de plástico, Sacolas.
Volumosos caixões de madeira guardam gêneros.
Algumas caixas de cerveja e carnes-secas dependuradas na despensa.

Estamos em uma bodega no interior do Nordeste brasileiro!


Share/Bookmark

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Política no dia-a-dia jornalístico brasileiro: 2011, começo do segundo semestre

Dia 28/08/2011, dentro do Programa Sílvio Santos, o governador de São Paulo - Geraldo Alckmin - aparece; na ocasião é indagado sobre sua juventude em Pindamonhangaba (cidade na qual exercera os cargos de vereador e prefeito), quando viera à TVS (atual SBT) participar de um programa de jogos chamado "Cidade X Cidade"; em seguida, é perguntado pelo animador e apresentador Sílvio Santos sobre algumas leis polêmicas no âmbito do estado de São Paulo (por exemplo, a de exigência de documento de identificação oficial indicador de maioridade para aquisição de bebida alcoólica, etc.).
Perguntas:
- Qual o intuito (causa) dessa visita especial na emissora pelo político?
- Por que o programa/ o horário escolhido foram aqueles, da parte da emissora? E da do político?
- Como a população telespectadora entendera a aparição do político no programa?




(fonte: Google/créditos da foto: http://noticiasdatvbrasil.wordpress.com/2011/08/28/silvio-santos-recebe-homenagem-do-governador-geraldo-alckmin-neste-domingo/ )

Dia 03/09/2011, dentro da programação jornalística do SBT Brasil (e do Jornal Nacional da Globo e Jornal da Record também) foi dado espaço ao anúncio da regularização do contrato de construção e de entrega de um novíssimo estádio - o "Itaquerão" - ao Corínthians Paulista para abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil; o evento contou com a presença de Lula.
Perguntas:
- Por que especificamente Lula foi chamado para o evento?
- Qual a diferença se o político chamado fosse, ao invés disso, o tucano José Serra?
- Como a população presente e a população telespectadora reagiram ao episódio?

Dia 11/09/2011, a apresentadora do Fantástico, Patrícia Poeta, entrevista com exclusividade a presidenta Dilma Rousseff, em seu dia-a-dia político em Brasília-DF; a conversa quase informal versa sobre temas variados (desde amenidades familiares até economia internacional e política ministerial).
Perguntas:
- Qual o significado (inclusive político), além da suposta sabatina após os primeiros seis meses de governo pela mídia, da referida entrevista?
- Por que os "lugares de discurso" escolhidos foram todos esvaziados (como se a entrevista fora realizada no recente feriado de 07/09 e depois apenas editada...)?
- Como a população internauta (que acessou o conteúdo da entrevista apenas via internet) e os telespectadores assimilaram a entrevista?


(fonte: Google/créditos da foto: tvglobointernacional.globo.com )


É um bom roteiro de dúvidas que me acorreram no momento; como bom brasileiro! Científicas ou não, são as dúvidas de um acessante crítico da mídia aberta nacional sobre temas de interesse.

Share/Bookmark